segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Capitulo 28





(Vera)

Despois do meu pai se ter ido embora fiquei ainda mais nervosa. Ele iria falar com o Harry. Na minha cabeça corriam imensos pensamentos negativos até que foram interrompidos pela entrada da minha mãe. Estava felicíssima por a ver.

Mãe – Filha… - disse ao abrir a porta do quarto. Chegou-se ao pé de mim e abraçou-me com bastante força – como é que estás?

Vera – Podia estar melhor se não me tivesses quase esmagado… - disse enquanto recuperava o folgo

Mãe – Desculpa…desculpa! Mas eu estou tão preocupada contigo Vera… - a minha mãe passou as mãos pelo meu corpo para ver se estava inteira

Vera – Sim, mãe! Estou inteirinha… - disse com um sorriso

Mãe – Nem sabes como é que fiquei preocupada quando o teu pai nos telefonou a dizer que estavas no hospital…

Vera – Como vês, estou bem. Pelo menos sinto-me bastante bem…

Mãe – Tens a certeza? Não queres que chame uma enfermeira para ver alguma coisa?

Vera – Pareces mesmo o pai! Quando ele entrou também me perguntou a mesma coisa! Eu estou bem, a sério…

Mãe – Estás numa cama de hospital, não é uma coisa boa.

Vera – Mas agora já passou…amanhã vou sair daqui e voltou para casa!

Mãe – Sim, amanhã vens logo para Portugal… - fiquei estática a olhar para ela. Não podia estar a acreditar no que estava a ouvir

Vera – Não mãe. Não percebeste. Casa significa Londres, aqui.

Mãe – Nem penses…agora quero-te perto de mim. Já apanhei um susto muito grande, não vou ficar sossegada se ficares aqui…

Vera – Mas porquê? Isto foi só um pequeno incidente…foi por ter andado há chuva! Não há perigo nenhum…prometo que não volto a faze-lo – disse convincentemente. Não queria ir para Portugal agora, não queria mesmo.

Mãe – Tu ainda és menor de idade, tens que obedecer aos teus pais…

Vera – Eu faço anos daqui a quatro dias! Deixa-me adivinhar, é por causa do que saiu nas revistas?

Mãe – Viste?

Vera – Quem é que não viu? A minha cara deve estar exposta por todos os quiosques portugueses como uma fugitiva!

Mãe – Não percebo como é que aquilo chegou á imprensa e principalmente o facto de teres vindo para Londres…

Vera – Por favor, mãe. Nota-se logo quem foi!

Mãe – Estás a insinuar que foram os Gouveia?

Vera – Não estou a insinuar, estou a afirmar. Eles andam a seguir todos os meus passos desde que o noivado foi oficial… - disse - o maldito casamento… - desabafei

Mãe – Não acredito que tenha sido isso. Houveram sempre paparazzi’s há nossa porta, algum deve ter-te seguido…

Vera – Oh mãe nem tu acreditas nisso! Sabes bem que as mulheres daquela família são piores que víboras e nenhuma me suporta. As únicas pessoas decentes são o Miguel e o pai.

Mãe – Sempre a exagerar…

Vera – Achas que estou a exagerar? Trata-se da minha vida, bolas! Eu sei que é muito conveniente e blá blá blá e mais a conversa de ser bom para os negócios também já a sei mas é a minha vida!

Mãe – Nunca te vi a falar dessa maneira…o que andaram a fazer-te?

Vera – Não andaram a fazer nada. Apenas percebi que há muito por que lutar e que não quero casar…

Mãe – Mas tu nunca te opuseste ao casamento…o que é que mudou?

Vera – Tudo, mãe. Tudo!

Mãe – Tudo o quê?

Vera – Aquilo que sinto. Aqui descobri algo que não estava á espera, encontrei algo por que lutar. Há uns dias atrás não me importava de casar mas agora…agora é tudo diferente.

Mãe – Estás apaixonada?

Vera – Sim!

Mãe – Ai filha…

Vera – Não acredito que não estejas feliz por mim…

Mãe – É claro que estou feliz mas…

Vera – Se estás a pensar no pai não te preocupes porque já me encarreguei de lhe contar que estou apaixonada e que não quero casar.

Mãe – E ele o que disse?

Vera – Que ia falar com ele!

Mãe – E quem é que é esse rapaz? É algum daqueles rapazes que estava lá fora?

Vera – Eu presumo que ele esteja lá fora, é o rapaz que tem o cabelo encaracolado…

Mãe – Ah…já sei quem é. Notava-se que estava um bocado nervoso, não parava quieto no lugar – um sorriso formou-se no meu rosto. Estava com medo que ele não estivesse lá ou que tivesse havido alguma discussão entre ele e o meu pai – o rapaz até é engraçado. Como é que se chama?

Vera – Harry. Harry Styles.

Mãe – Acho que já ouvi esse nome em algum lado…

Vera – Pois. É normal. Ele pertence aquela banda que eu estava sempre a ouvir, os One Direction.

Mãe – Estás a brincar?

Vera – Não mãe!

Mãe – Coitado do rapaz. Deve ter ficado surdo quando te conheceu…

Vera – Porque é que dizes isso?

Mãe – Então porque deves ter gritado muito…

Vera – Foi precisamente ao contrário, fiquei sem voz! Fiquei tipo estátua!

Mãe – Só tu minha filha, só tu! – ela fez uma pausa e olhou seriamente para mim – ele gosta de ti?

Vera – Isso tens de lhe perguntar e não a mim! Eu gosto dele e muito…

Mãe – Vera, tu sabes muito bem como é que são os namoros, as pessoas apaixonam-se e desapaixonam-se á velocidade da luz. Ainda mais nos famosos…tu pertences a esse mundo, sabes como é que as pessoas são.

Vera – Eu sei mãe. Mas ele não me conhecia de lado nenhum, não sabia que estava noiva nem que a minha família tinha uma enorme fortuna. Ele gosta de mim pelo que sou, não pelo meu nome que trago. Quem poderia pensar dessa maneira era ele porque eu é que o conhecia…

Mãe – Mesmo assim. O nome da nossa família não pode manchado por um rapaz qualquer que descobriu agora a fama.

Vera – O nosso nome fica manchado se tiver que me chamar Vera Gouveia! A sério mãe, eu nunca serei feliz se esta ideia do pai for em frente.

Mãe – A única coisa que te posso prometer é ir falar com ele…

Vera – Obrigada mãe.


(Harry)


O pai da Vera já tinha entrado a algum tempo. Aquela espera era desesperante, precisava de saber qual é que era a posição do pai dela perante o nosso relacionamento. Quando mais depressa pensava no assunto mais depressa ele vinha. Rapidamente se dirigiu a mim

Pai da Vera – Podemos falar?

Harry – Hummm – nem sabia o que dizer – claro! Claro…

Pai da Vera – Muito bem. Podemos ir lá fora…aqui existe demasiada gente para o meu gosto.

Harry – Sim, com certeza!

Pai da Vera – Vamos? – levantei-me do banco e olhei para eles. Todos tinham uma cara de pânico, parecia que me ia atirar de um abismo. Se calhar até ia…Não. Tinha que pensar positivo e dar a melhor imagem de mim, qualquer descuido era o fim do meu relacionamento com a Vera. Ao lado do hospital havia um jardim agradável por isso fomos para lá. Todo aquele percurso foi feito nos maiores dos silêncios. Parecia que estava á espera de ouvir a minha sentença de morte. Era mesmo um ambiente esquisito. Paramos num banco e sentámo-nos – vamos falar!

Harry – Sim… - estava mesmo muito nervoso, o pai da Vera devia estar a pensar que eu era algum parvinho que nem falar sabia – do que quer falar?

Pai da Vera – Em primeiro vamo-nos apresentar, o meu nome é António Machado de Lima, tenho 45 anos e tu?

Harry – O meu é Harry Edward Styles e tenho dezoito anos. – tudo aquilo parecia demasiado estranho mas continuei a responder

Pai da Vera – Tens o teu B.I contigo? – disse que sim – importaste de me mostrar? – definitivamente estava muito estranho. Tirei a minha carteira e dei-lho – muito bem Harry Styles! – Já percebi! Sou mesmo lento, queria ver se estava a dizer a verdade…realmente o homem pensa em tudo.

Pai da Vera – Eu sou empresário e tu o que fazes da vida ou o que pretendes fazer? – ele parecia que tinha saído de algum filme policial, sentia-me num interrogatório, só faltava estar num cubículo e sentado numa cadeira desconfortável.

Harry – Neste momento estou numa banda, os One Direction. A música é a minha paixão e é isso que quero fazer para o resto da vida.

Pai da Vera – Muito bem, temos um cantor. Suponhamos que, por algum motivo infeliz, a música tenha que sair da tua vida, não é que queira que isso aconteça, mas é possível. O que pretendes fazer?

Harry – Bem…sinceramente ainda não pensei muito nisso…

Pai da Vera – Fazes tu muito mal! – pronto. Está tudo estragado! – A Vera foi habituada a ter tudo o que queria, não é que ela seja mimada nem nada mas sempre tive possibilidades de lhe proporcionar o melhor para ela. Consegues perceber isto?

Harry – Sim sim! Perfeitamente.

Pai da Vera – Muito bem. Eu gosto muito dela, embora por vezes não tenha conseguido transmitir-lhe das melhores maneiras. Infelizmente, para conseguirmos sobreviver neste mundo, temos que trabalhar no duro. Sei que passei muito do tempo longe a trabalhar mas isso não significa que goste dela….

Harry – Mas ninguém disse o contrário…eu… - o pai da Vera estava com uma cara de poucos amigos. Não devia tê-lo interrompido – desculpe…prossiga!

Pai da Vera – Como eu ia a dizer, ela é a pessoa mais importante na minha vida. É a minha única filha e é a herdeira de todo o meu património. Tenho vindo a prepara-la para este mundo desde que soube que não iria ter mais filhos. – desta vez não me atrevi a interrompe-lo – presumo que já saibas do casamento…

Harry – Sim, a Vera contou-me.

Pai da Vera – Muito bem. Queria saber o que pensas sobre isso? – fiquei espantado com a pergunta. De certeza que tinha rasteira…o que respondo? Estou tramado

Harry – Bem, eu não tenho uma opinião muito bem formada sobre esse assunto porque só soube hoje e ainda estou um pouco atormentado com tudo isto. – tentei começar com uma frase neutra e composta – Pelo que a Vera me contou, ela está noiva de um rapaz chamado Miguel Gouveia – era impossível esquecer o nome que quer retirar-me a Vera – pelo que percebi, ela não gosta muito da ideia. Não é que o senhor a tenha obrigado mas ela só não recusou porque tem muito respeito por si. O problema é que agora ela tem alguém por quem lutar, eu! – quando acabei a frase nem acreditei no que tinha dito. Tinha falado demais…

Pai da Vera – Muito bem. O que acha que tem de melhor em relação ao Miguel para ela o ter escolhido? – aquelas perguntas estavam a queimar o meu cérebro. O que é ele queria com aquilo tudo…

Harry – Eu não sei o que tenho de melhor porque não o conheço. A única vez que o vi foi hoje no hospital, não posso dizer que tenha uma opinião sobre o rapaz. Mas uma coisa pode ter a certeza, o amor que a Vera sente é por mim. Essa pode ser a única coisa que nos distingue, o amor dela.

Pai da Vera – Muito bonito, quase comovente. O problema é que existe muitas outras coisas que vos diferenciam, e a principal é que ele lhe pode proporcionar um nível de vida estável que o Harry nunca será capaz de oferecer.

Harry – Eu até posso concordar com essa afirmação…

Pai da Vera – É obvio que concorda, é a verdade.

Harry – Desculpe mas agradecia que não me interrompesse – acho que pela primeira vez obtive um pouco de atenção por parte dele – como eu estava a dizer, é verdade que a profissão de cantor não é a mais estável de todas, estamos dependentes de muitos fatores exteriores a nós. Porém, não creio que isso seja o mais importante para a sua filha. Como o senhor disse, a Vera não é a habitual menina rica mimada e caprichosa, é muito mais do que isso. Quando ela me contou sobre a família dela fiquei estupefacto porque já tive oportunidade de conhecer pessoas bastante influentes e normalmente as raparigas são bastante insuportáveis quando vêm de famílias com fortunas avultadas. A Vera é diferente de todas as raparigas, não sei explicar no que é diferente, só sei que é especial – acabei de falar um pouco já sem folego. Tinha falado tão rapidamente que quase me engasgava por vezes.

Pai da Vera – Lindo discurso. Mas não me convence! Não são essas palavras, nem esse discurso que fazem com que o dinheiro venha parar á carteira. Eu não vou permitir que a minha filha passe necessidades porque decidiu que era giro namorar com um marmanjo qualquer que tem a mania que canta.

Harry – Desculpe mas agradecia que não me ofendesse. Não me lembro de lhe ter faltado ao respeito em algum momento.

Pai da Vera – Só disse o que pensava. Que eu saiba os cantores têm que saber lidar bem com a crítica não é?

Harry – Sim…

Pai da Vera – Bem me parecia. Olhe, sou-lhe bastante sincero. É um rapaz novo, com dezoito anos pode fazer tudo o que quiser, os namoros vão e vêm, tem fama, uma carreira a começar, imensas raparigas atrás de si. Tenho a certeza que encontrará uma substituta á minha filha…

Harry – O senhor não está a perceber… - ele interrompeu-me

Pai da Vera – Estou sim senhor. Vou levar a Vera amanhã para Portugal novamente e não terá mais qualquer contacto com ela.

Harry – Mas…

Pai da Vera – Não se preocupe que com a sua idade rapidamente se volta a encantar por outra rapariga.

Harry – Eu não quero outra rapariga, quero a Vera! O senhor não a pode levar…

Pai da Vera – E porquê? Ela é menor de idade e tem que respeitar as ordens dos pais. Ela vai para Portugal amanhã e não há discussão.

Harry – Não vai conseguir prende-la para sempre. Ela está quase a fazer anos, daqui a quatro dias, quando fizer os dezoito anos ela volta para Londres. Aí o senhor já não posso fazer nada. 

Pai da Vera – Aí é que se engana! É nesse momento que entra dizendo que não quer que ela volte para Londres…

Harry – O quê? Eu não vou fazer isso…

Pai da Vera – Vai sim senhor. Pareces-me ser um rapaz sensato e como tal não creio que queiras que a tua namorada esteja de costas voltadas com a família. É isso que vai acontecer se ela voltar para aqui ou ter algum contacto consigo.

Harry – Não pode fazer isso…

Pai da Vera – Posso e vou fazer se me obrigar a isso. Pense nisso! Ainda tem tempo…um resto de boa noite.

Harry - …boa noite!

Estava incrédulo com tudo o que tinha ouvido. Por um lado não queria que ela se afastasse de mim mas por outro a família é sempre importante e não queria que ela se zangasse com a dela. Não podia separar uma família por minha causa. Estava demasiado confuso, não sabia o que pensar nem o que fazer.

Liam – Hey, então? Como é que correu a conversa? – os rapazes tinham acabado de chegar, tinham-se sentado ao meu lado – correu assim tão mal?

Harry – Nem sei! Foi uma conversa muito estranha e acabou pessimamente mal.

Niall – Como é que é?

Harry – Basicamente o pai dela não concorda com o nosso namoro!

Zayn – E o que vais fazer? Não podes deixar que ele manipule assim a vida da filha pois não?

Harry – Não é assim tão simples Zayn! Há muito mais para além disso…

Liam – E não nos quer explicar?

Harry – O pai dela meteu-me literalmente entre a espada e a parede. Não sei o que fazer…

Niall – Que tal parares de falar por meias palavras…não percebo nada! Afinal o que ele te disse?

Harry – Desculpem mas não posso dizer. Sabem se está alguém no quarto da Vera?

Zayn – Quando saímos a mãe dela ainda lá estava…a seguir deve ser o Miguel…

Harry – Nem pensar! Sou eu o próximo… - levantei-me do banco e corri até á sala de espera. Para minha alegria, estava a chegar ao mesmo tempo a mãe da Vera. Ela foi falar com o Miguel, devia ser para lhe dizer que já podia entrar mas antecipei-me – desculpe mas eu preciso de falar com a Vera urgentemente. – disse á mãe dela

Mãe da Vera – Mas…

Harry – É rápido. Preciso mesmo de falar com ela… - nem deixei a senhora acabar de falar e dirigi-me ao quarto dela. O meu coração batia ferverosamente, estava num estado de nervos horrível. Fechei os olhos e entrei dentro do quarto.



  


Espero que esteja do vosso agrado!
Estou muito feliz por saber que estão a gostar e isso sem dúvida é uma excelente fonte de inspiração!


Obrigada,


Liis

1 comentário:

filipa margato disse...

gostei bastante, estou ansiosa para saber o que o harry lhe vai dizer :)