quarta-feira, 21 de março de 2012

#Imagine


Esta foi a primeira vez que o fiz. Não sei se está grande coisa mas espero que gostem. Dêem a vossa opinião para saber se deva continuar ou não...=) 



Estavas sentada num banco de jardim num dos mais bonitos e esplendorosos jardins de Londres juntamente com a tua guitarra. Puseste no chão uma espécie de chapéu no chão e começaste a tocar. Precisavas de ganhar algum dinheiro e se o pudesses fazer através da musica melhor ainda. As pessoas foram chegando e ficando a assistir ao teu momento. Como estavas tão concentrada e a desfrutar do momento nem reparaste que um rapaz se sentou ao teu lado. Só notaste a presença dele quando ouves o som de outra guitarra a sobrepor-se sobre a tua. Ias falar mas acabaste por desistir porque as pessoas estavam a adorar. No final agradeceste ás pessoas e ficaste espantada com o dinheiro todo que tinhas arranjado. Olhaste para o rapaz que ainda se encontrava ao teu lado, usava óculos escuros e um gorro na cabeça.
- Ham…obrigada! – acabaste por dizer - Como te posso agradecer? – o rapaz tirou os óculos e o gorro e vislumbraste mesmo á tua frente o Niall Horan. Nem querias acreditar. Ele estendeu-te um cartão e tu, meia a tremer, pegaste nele.
- Ouvindo a tua voz novamente… - respondeu-te. Ele levantou-se e piscou-te o olho. Olhaste para o cartão e tinha lá o número dele. Um enorme sorriso formou-se no teu rosto.  

terça-feira, 20 de março de 2012

Capitulo 33


(narrador)


Horas antes…

O filme já tinha acabado mas Carla e Louis ainda não tinham reparado que a televisão já só mostrava preto. Estiveram o tempo todo á conversa até entrarem os primeiros raios de sol por entre os buraquinhos da persiana. O relógio da sala já marcava as sete horas da manhã em ponto quando se lembraram do filme.

Carla – Esquecemo-nos completamente do filme… - disse enquanto se levantava do sofá para ir tirar o DVD do aparelho – nunca mais nos lembrámos…

Louis – É sinal que a conversa estava a ser boa e interessante… - respondeu com um enorme sorriso na cara. Aos poucos estava a descobrir que tinha imensas semelhanças com ela e que poderiam dar-se bastante bem – o tempo passou bastante rápido….

Carla – Nem me digas nada – ao mesmo tempo que se sentava e punha a mão na barriga – até me doi a barriga de tanto rir Louis! Já percebi que quando tiver triste tenho um excelente remédio…falar contigo é remédio santo!

Louis – Também não é preciso exagerares…tu também és muito engraçada!

Carla – Oh, que querido! – respondeu rapidamente – Obrigada.. – disse passado alguns segundos de pausa. Louis olhou para ela seriamente sem perceber o porquê do agradecimento

Louis – Porque é que me estás a agradecer?! Não me lembro de ter feito nada de especial…

Carla – Claro que fizeste. Ficaste aqui comigo…se não fosses tu tinha ficado sozinha esta noite a pensar em coisas que não devia. Obrigada por isso… - respondeu prontamente com um sorriso

Louis – Não tens que agradecer, para mim foi um prazer. Gostei bastante… - Vera apenas sorriu. Em seguida ouve momento silencioso um bocado constrangedor que foi quebrado por uma ideia brilhante da Carla

Carla – Anda! – ao mesmo tempo que se levantava do sofá e esticava o braço em direcção ao Louis

Louis – Para onde vamos?! – respondeu enquanto lhe dava a mão

Carla – Vamos correr! – Louis deixou-se cair novamente no sofá – Deixa de ser preguiçoso, levanta esse cú do sofá e mexe essas perninhas! Eu preciso de fazer exercício… - afirmou prontamente de modo a convence-lo.

Louis – Não precisas de exercício….Estás tão bem assim… - Carla por momentos ficou estática a olhar para ele mas depois falou. Nunca lhe tinha acontecido tal coisa, não saber o que dizer.

Carla – Fico muito enternecida com o elogio mas não me convence. Anda… - Louis acabou por sair derrotado e subiu as escadas da casa da Matilde até ao quarto da Carla para esta lhe dar umas calças de fato de treino e uma t-shirt – estima bem essas calças…são as minhas favoritas!

Louis – Porque é que são especiais?

Carla – São do meu irmão mais velho e como me apaixonei por elas, literalmente, quando as vi, ele foi um querido e deu-mas.

Louis – Então vou ter cuidado para não cair nem tropeçar em nada!

Carla – Acho muito bem! – Enquanto o Louis foi-se vestir para a casa de banho, a Carla vestiu-se no seu quarto e encontraram-se em frente á porta da rua – Pronto?

Louis – Não…mas vamos a isso! – Depois de algum tempo a correr acabaram por parar num jardim pois o Louis já estava cansado. Sem reparar numa placa aonde avisava perigo, Louis sentou-se num banco que não devia.

Carla – NÃO te… - ia a dizer antes de ele se sentar mas foi tarde demais – assentes… - acabou a frase já com o Louis sentado. Ela fez-lhe sinal para ler o aviso que estava ao lado e dizia “pintado de fresco! Não se assente!”. Carla não conseguiu controlar o riso quando o Louis leu o aviso. A cara dele era demasiado engraçada para ela conseguir não rir. Louis levantou-se e virou-se de costas para ela – estás ás riscas Louis! Ás riscas verdes! Gostas mesmo de riscas…– só depois é que se lembrou do fato de treino – Vou-te matar Louis! – não teve tempo de reagir quando o Louis a pegou ao colo e assentou-a no banco. Ela tentou espernear mas não lhe valeu de nada. Louis fez uma ligeira pressão sobre as pernas para que ela ficasse com as marcas da tinta bem visíveis. Foi aí que ele reparou nos bonitos olhos que Carla tinha. Ficou vidrado nela durante vários longos segundos até que ela se começou a sentir um bocado envergonhada – tenho alguma coisa na cara?

Louis – Não não! Desculpa… - retirou as mãos das pernas dele e ajudou-a a levantar do banco – agora já estás igual a mim…

Carla – Realmente o meu sonho era ter roupas ás riscas verdes! – disse num tom irónico – Não sei se reparaste mas passaram por nós algumas pessoas que se começaram a rir da nossa parvoíce! – informou depois de se levantar  

Louis – Não é parvoíce, é felicidade! É por estar contigo… - respondeu com um sorriso – estou a divertir-me contigo! Já há muito tempo que não me ria assim…

Carla – Ainda bem. Acho que nos vamos dar bastante bem…vamos ser bons amigos… - aquela afirmação caiu bem lá no fundo no coração de Louis. Por muito que a amizade fosse ainda prematura, nunca pensou que aquela afirmação lhe doesse tanto – não me digas que não queres ser meu amigo?! Fizeste cá uma cara…

Louis – Claro que quero! Não sejas tonta… - afirmou prontamente – que tal um abraço para celebrarmos a nossa mais recente amizade?

Carla – Pode ser – Louis enrolou os seus braços em redor do corpo de Carla. Ela dava-lhe mais ou menos pelo peito, o cheiro natural dela invadiu rapidamente o nariz dele fazendo-o sentir coisas que nunca tinha presenciado. Enquanto que Carla estava bastante mais calma e serena – Está qualquer coisa a vibrar… - constatou quando sentiu junto da sua perna alguma coisa a mexer-se

Louis – É o meu telemóvel… - disse desiludido por ter que a largar – é o nosso manager… - Louis afastou-se alguns passos para poder falar mais calmamente e quando terminou a chamada voltou para junto de Carla

Carla – Algum problema?

Louis – Acho que sim…mas falamos melhor em casa quando todos eles chegarem!

***

Quando já todos tinham chegado a casa, Louis decidiu dar a noticia que o manager lhe tinha dado.

Louis – Pessoal, tenho novidades… - começou ele para atrair as atenções para ele – temos que ir uma semana para EUA! – quando acabou de falar ouviu-se bastantes manifestações por parte de todos. As opiniões eram bastante positivas e por isso não percebiam o porquê da tristeza – o problema está na data…partimos daqui a quatro dias, de manha, que é o aniversário da Vera e chegamos um ou dois dias após o aniversário da Matilde

Matie – Não pode ser…estás a gozar não estás Louis? – perguntou ansiosa há espera que ele lhe dissesse que estava a gozar

Louis – Desculpa mas não… - disse o que a Matilde não queria ouvir

Liam – Tens mesmo a certeza dos dias? Se calhar ouviste mal o que ele disse… - Liam também não queria acreditar no que o seu amigo estava a dizer – tens mesmo a certeza?

Louis – Absoluta! Ainda sei ouvir bastante bem…

Liam – Não acredito nisto! Eu que já andava a pensar numas coisas para o dia do aniversário assim vou ter que desmarcar… - proferiu bastante triste enquanto agarrava as mãos da Matilde e a empurrava um pouco para trás para conversarem sozinhos

Matie – Pronto, deixa para lá…o dia também não é assim tão importante – disse tentando parecer o mais convincente possível para que ele não ficasse triste – a sério…não te preocupes… - colocou um sorriso nos lábios mas não foi o suficiente para esconder a sua própria tristeza

Liam – Como é que queres que não fique triste? É o teu aniversário e queria muito estar contigo…

Matie – É só um dia…se Deus quiser vou fazer muitos mais e nos próximos já tu estarás presente… - tentou ver o lado positivo

Liam – Mas não é a mesma coisa…são os teus dezoito anos.

Matie – Não te quero assim! Vais para os EUA, é um grande passo para os One Direction! Quero-te ver feliz e não triste…

Liam – Não consigo!

Matie – Tens que conseguir, por mim! – deu-lhe um beijo rápido – quero ver o meu namorado feliz senão arranjo outro… - Liam acabou por sorrir e beijaram-se mais uma vez desta vez de forma mais duradoura

Enquanto eles conversavam um pouco mais á parte, os restantes estavam bastante animados com a ideia menos o Harry e a Vera que ainda não tinham apanhado a conversa.

Zayn – Vai ser brutal… - proferiu bastante contente – é pena ser nessas datas! Não me parece que o Liam vá andar muito feliz…

Niall – Não podemos fazer nada contra as datas…

Filipa – Realmente é um bocado mau…

Louis – Infelizmente… - Louis estava a achar que o Harry estava demasiado calado, ainda não tinha dado a sua opinião – oh meu carrot, o que é que se passa? – Harry estava sentado no sofá com a Vera encostada a ele

Harry – Ham? Não ouvi o que disseste? – ele não tinha ouvido nada da conversa por isso não estava a perceber nada

Zayn – Vamos para os EUA durante uma semana!

Harry – A sério?! Isso é muito fixe! – respondeu alegremente – porque é que aqueles dois tao com cara de enterro? Já é das saudades?

Niall – Está descansado porque também vais ficar assim! – Harry não percebeu aquela frase

Louis – Temos que partir na manhã do dia do aniversário da Vera!

Harry – Não brinques com coisas sérias! Diz lá quando é que vamos?

Louis – Acabei de dizer!

Harry – Estás mesmo a falar a sério?

Niall – Eu disse-te que ias ficar com a mesma cara de enterro que o Liam e a Matie! – a Vera continuava sem reagir, a noticia tinha-lhe passado um pouco ao lado embora a tivesse ouvido.

Harry – Amor, ouviste a noticia? – perguntou á Vera enquanto lhe acariciava os cabelos longos

Vera – Sim… - respondeu com uma voz quase sumida e encostou-se mais a ele – não quero que te vás embora… - disse-lhe de forma a que fosse só ele a ouvir

Harry – Eu também não queria mas tenho que ir…

Vera – Eu sei! Desculpa…estou demasiado sensível hoje! – disse com um sorriso tremido. Apesar de tudo, ela sabia o quanto era excelente aquela oportunidade.  

Harry – Não te consigo ver assim princesa! - disse enquanto a abraçava ainda mais – Partes-me o coração… - Vera acabou por não dizer mais nada. Aquele abraço valia por milhares de palavras. Precisava mais do que nunca de o sentir bem juntinho a ela.

****

Depois de todos estarem a par das novidades foram almoçar. A Joana e o Niall ficaram encarregues de o fazer. Quando acabaram decidiram ir ao cinema mas a Vera não estava muito contente com a ideia por isso preferiu ficar em casa e o Harry fez-lhe companhia. Como a Vera não ia, todos acharam por bem não ir mas a Vera consegui-os convencer a irem.

Quando saíram, Vera subiu até ao quarto lentamente ainda pensando em tudo o que tinha acontecido no hospital. Abriu a porta do quarto e dirigiu-se inconscientemente até á mala de viagem que tinha trazido com as suas roupas de Portugal. Retirou-a debaixo da cama e pô-la em cima da cama. Pegou no fecho e correu-o até abrir na totalidade a mala. No interior da mala havia um pequeno compartimento selado por um fecho. Ela abriu e de dentro podia-se ver escapulir devido ao peso uma moldura castanha. Vera inclinou-se para ir busca-la e sentou-se no chão do quarto. A imagem que atravessava os seus olhos era do seu pai, da sua mãe e dela própria. Por breves segundos passou em revista todos os momentos da sua infância, todas as alegrias e tristezas. Pela segunda vez, as lágrimas voltaram a escorrer. Não as conseguia controlar, estavam fora do seu controlo emocional. Encostou a moldura ao seu peito e suspirou.

Vera – Vera Machado de Lima, bem-vinda á nova etapa da tua vida! – disse no meio do silencio do seu quarto.

Levantou-se e colocou a moldura em cima de uma cómoda perto da janela do quarto. O seu olhar desviou por momentos para o exterior da casa e algo chamou-lhe a atenção. Desviou a cortina que estragava o seu campo de visão e finalmente conseguiu ver com nitidez o Harry. Ele estava sentado numa das espreguiçadeiras que estavam em volta da piscina. Um sorriso esboçou-se no rosto de Vera assim que o seu olhar se prendeu nos perfeitos caracóis que esvoaçavam rebeldemente ao sabor do vento. Um calor, extremamente reconfortante, invadiu o seu coração assim que o viu. Respirou fundo e suspirou ainda com um sorriso contagiante. Harry levantou-se da espreguiçadeira com um enorme sorriso, tinha tido uma ideia brilhante. Vera largou atrás de si a cortina e esta voltou á sua posição original enquanto se dirigia á casa de banho de vez para ir tomar banho. Despiu-se já dentro da casa de banho e entrou para dentro da banheira e iniciou um duche rápido. Pelo menos era o que tinha em mente. Á medida que a água quente lhe escorria pelo corpo as recordações voltaram a invadir a sua mente. Vera tentou lutar com todas as forças para não pensar novamente em coisas tristes mas não resistiu. As lágrimas brotaram pelos seus olhos novamente e misturaram-se com as gotas de água que caíam do chuveiro. Depois de alguns largos minutos acabou o banho, pegou na toalha que já estava pendurada dentro daquele compartimento fechado da banheira e cobriu-se com a mesma. Ao abrir a porta para sair da banheira deparou-se com uma situação que não estava de todo á espera. Harry estava encostado á ombreira da porta com o olhar preso ao chão e só depois de Vera pôr os dois pés do lado de fora da banheira é que ele reparou que a sua amada já tinha saído.

Vera – Harry?! – disse um pouco envergonhada. Não o esperava vê-lo ali. Harry, por momentos, perdeu a fala. O seu olhar concentrou-se na imagem que via á sua frente. A sua mente viajou por detrás da toalha que cobria o seu corpo perfeito. A pele coberta de gotículas de água e o seu cabelo molhado que caía sobre o ombro hipnotizara Harry – Harry? – Vera conseguia sentir a intensidade do olhar de Harry a percorrer todas as curvas do seu corpo. Num ato de puro reflexo cruzou os braços á sua frente agarrando bem a toalha.

Harry – Desculpa, desculpa… - disse depois de “acordar” com as maças do rosto a arderem – eu não queria…quer dizer…eu não…não estou a pensar nisso… - Harry não sabia o que dizer, estava demasiado envergonhado com a situação – eu não estava a pensar nisso que estás a pensar…

Vera – Pronto. Calma… - respondeu rapidamente antes que Harry se enterrasse ainda mais – Não tem mal! Não precisas de ficar assim… - Vera deu meia dúzia de passos até chegar ao Harry. Pôs-se em biquinhos de pés para ficar ao mesmo nível que ele e deu-lhe um beijo rápido nos lábios – o que vieste aqui fazer? Ou foi só para me ver?

Harry – Tu és importante para mim mas não exageremos! Achas que eu me ia dar ao trabalho de subir as escadas todas até cá acima só para te ver? – Vera olhou para ele seriamente o que o fez rir – Por ti subia todas as escadas do mundo só para te ver!

Vera – Estás muito lamechas! Diz lá o que queres? – disse ao mesmo tempo que colocava a sua mão sobre o peito de Harry e fazia pressão para que este a deixasse passar para o interior do quarto

Harry – Isto! – Harry desviou-se da entrada da casa de banho e Vera deparou-se com um tabuleiro em cima da cama com o lanche – como comeste pouco ao almoço achei por bem fazer-te um lanche com tudo o que tens direito… - á medida que Harry falava um sorriso genuíno ia-se formando nos lábios de Vera – eu sei que não tenho muito jeito para a cozinha mas acho que me safei… - prosseguiu meio envergonhado prevenindo qualquer problema com a comida. Harry esperou atentamente algum sinal de aprovação da amada quando esta se dirigiu ao tabuleiro – então, bom aspeto pelo menos?

Vera – Bom aspeto tem, vamos ver se sabe tão bem como se vê! – disse com um enorme sorriso nos lábios tranquilizando Harry – mas se não souber assim tão bem, eu continuo a gostar de ti, não te preocupes!

Harry – Na próxima vez já sairá melhor, tenho a certeza!

Vera – O que conta é a intenção! Mas como ainda não provei não desesperes já! – ela inclinou-se em direcção a ele e deu-lhe um beijo rápido – mas primeiro de tudo tenho que me ir vestir…

Harry – Se quiseres podes ficar assim…somente com a toalha… - respondeu ao mesmo tempo que enrolava os seus braços em redor da cintura dele roubando-lhe um beijo – ficas sexy assim de toalha!

Vera – Não queres mais nada?

Harry – Querer até queria…mas deixo isso para depois! – ele largou a namorada e dirigiu-se ao armário dela – vou ser eu a escolher a tua roupa! – abriu o armário e olhou-a pelo canto do olho, ela estava de braços cruzados – que cara é essa?

Vera – Que desculpa mais esfarrapada para ires mexer na minha roupa interior!

Harry – Achas mesmo que pensei nisso? – Vera não acreditava e Harry percebeu que mentia muito mal – talvez tenha pensado mas deixo isso para ti! – enquanto ela começava a vestir a roupa interior, Harry passou em revista as peças de roupa que estavam penduradas e escolheu uma t-shirt com o Mickey – Pode ser esta… - e deu-lha. Ele parou nuns calções que achara muito curtos e tirou-os da gaveta – diz-me que não usas isto na rua… – Vera olhou para os calções cinzentos e começou a rir

Vera – Eu costumo usa-los na praia mas já que gostaste tanto deles eu uso-os para o dia-a-dia! – Harry ficou com uma cara de enciumado o que fez Vera rir ainda mais – só tu para me fazeres rir desta maneira! Dá cá isso e deixa esses ciúmes idiotas porque quero comer! – prosseguiu quando percebeu que Harry não reagia

Harry – Não são ciúmes…estou apenas a preservar o que é meu! – disse com um tom de voz doce

Vera – Anda mas é comer isso sim!

Sentaram-se os dois no chão com o tabuleiro entre eles e lancharam, que por sinal não estava assim tão mau. Embora pudesse estar melhor. Vera levantou-se do chão e dirigiu-se ao telemóvel que tinha feito um barulho estranho. Olhou para o ecrã e viu que era falta de bateria. Pegou no carregador e pô-lo ligado á eletricidade. Quando se virou viu que Harry já estava sentado em cima da cama.

Harry – Anda cá pequenina! – pediu-lhe enquanto esticava o braço em direcção a ela. Vera deu-lhe a mão e sentou-se no colo dele. Tanto ela como ele não disseram uma única palavra. A respiração de Harry batia calmamente no pescoço de Vera enquanto lhe fazia pequenos círculos com as pontas dos dedos na barriga dela - You are so beautiful... - Vera ouviu a voz doce de Harry perto do seu ouvido a cantar-lhe a música que ela tanto gostava e automaticamente fechou os olhos tentando absorver aquele momento da melhor maneira e guardá-lo para sempre na sua memória - ...To me. You are so beautiful to me... Can't you see, oh? You're everything I've hoped for and you're everything I need... You are so beautiful to me... – Vera simplesmente beijou-o quando ele acabou de cantar

Vera – Eu amo-te muito sabias? – disse retoricamente não esperando uma resposta dele e voltou a beija-lo

Harry – Eu amo-te ainda mais! – Harry fez sinal para Vera se levantar do seu colo e encostou-se á cabeceira da cama – deita-te aqui! – ela assim fez. Deitou a sua cabeça em cima das suas pernas e fechou os olhos. Enquanto isso Harry magicava na sua cabeça um plano brilhante para o dia de aniversário de Vera antes de ir para os EUA.   



Desculpem a demora mas tive um problemazinho (enorme!!!!).
Bem, espero que tenham gostado.
Obrigada por todos os comentários, são um grande incentivo.

Liis

quinta-feira, 15 de março de 2012

Capitulo 32





(Vera)

Acordei meia estremunhada com um pesadelo que estava a ter. Estava bastante assustada mas não me lembrava qual era o tema do pesadelo. Tinha o coração a mil á hora. Fechei os olhos novamente para estabilizar o ritmo cardíaco e só depois é que voltei a abrir os olhos. Ia levantar as mãos para esfregar os olhos para despertar bem quando reparei que a minha mão esquerda estava presa ao Harry. Ele tinha adormecido com a cabeça em cima da minha mão.

Tentei tira-la sem o acordar mas ele devia ter medo que fugisse ou algo parecido pois não a conseguia tirar. Depois de algumas tentativas em vão decidi resignar-me e fiquei apenas a olhar para ele. Com o tempo, o Harry parecia-me cada vez mais perfeito. Ainda estava meia anestesiada com tudo o que se tinha passado, por vezes chegava a pensar que tudo não se passava de um sonho.

Tinha medo de acordar e perceber que tudo não se passara de um simples sonho, de uma fantasia criada na minha cabeça. Tinha medo de me desiludir e de desiludir as pessoas que amava. Tinha medo que a minha relação com o Harry tivesse um prazo de validade, que no final do verão tudo acabe simplesmente só porque tenho que voltar para Portugal. 

Com o passar do tempo fui realmente apercebendo-me da dimensão que a minha relação com o Harry iria ter a curto prazo. Por muito que me custe admitir, toda aquela pressão mediática que mais cedo ou mais tarde se vai gerar, vai-me custar a suportar. Embora esteja habituada a esse mundo, desta vez não teria os meus pais a protegerem-me. Precisava mesmo de falar com o Harry sobre esse assunto.

Os meus pensamentos foram interrompidos quando alguém bateu á porta. Respondi que podia entrar e logo apareceu o médico.

Médico – Bom dia! – disse ele alegremente

Vera – Bom dia! – respondi também bastante animada com a vontade de sair dali ainda esta manhã

Médico – Preparada para sair daqui?

Vera – Preparadíssima! Já estou farta de aqui estar…

Médico – Então acho melhor acordar o seu namorado porque vou chamar os seus pais para poderem entrar! E também acho melhor quando chegarem a casa fazer uma boa massagem ao seu namorado porque dormir nessa posição não deve ser confortável – olhei para o Harry e tive que concordar com o médico. Ele ia acordar com uma valente dor de costas

Vera – Pois. Eu já o vou acordar…Obrigada!

Médico – Até já!

Depois do médico sair do quarto fui acordar o Harry com jeitinho. Após algumas tentativas dóceis para o acordar ele não reagia. Estava a dormir que nem uma pedra. Já que a abordagem soft não estava a resultar decidi por outra mais radical e comecei a abaná-lo fortemente.

Harry – AI! Que se passa? Terramoto? – ele despertou com uma cara de pânico tão engraçada que não me contive e desatei a rir. Ele olhou finalmente para mim e não gostou nada – achas graça? Não sabias de outra maneira para me acordar? – resmungou

Vera – Não tenho a culpa de não teres acordado da maneira mais soft! Eu bem te dei beijos mas nem assim acordavas por isso passei para uma maneira mais drástica! A culpa é inteiramente tua… - tentei desculpar-me por ter sido tão violenta

Harry – Ainda tenho a cabeça a andar á roda… - a cara dele estava engraçadíssima      

Vera – Pois, então põe a cabeça no sitio porque os meus pais vêm aí. Já vou ter alta daqui a pouco… - informei-o enquanto ele dava ligeiras chapadas na cara para estar bem acordado

Harry – Queres que me vá embora antes que os teus pais cheguem ou não é necessário? – ainda fiquei a pensar mas depressa me apercebi que era uma estupidez se ele se fosse embora

Vera – Claro que não te vais embora, era só o que faltava! Espero é que eles tenham desistido daquela ideia peregrina de me levarem para Lisboa novamente… - tinha-me lembrado da conversa com a minha mãe

Harry – Eu também espero mas e se eles não aceitarem? – desviei o olhar dele, não podia sequer haver a hipótese de eles não aceitarem.

Vera – Não vamos pensar em coisas negativas sim? – disse depois de o encarar novamente – Vai tudo correr pelo melhor…

Harry – É o que mais quero!

Vera – Mudando de assunto, porque é que ainda não me deste o beijo dos bons dias, pode-se saber? É que eu estou em fase de recuperação e preciso de todos os miminhos possíveis!

Harry – Da forma como me acordaste achas que tens direito a beijos?! – fiz beicinho. Ele não podia estar a falar a sério!

Vera – E não tenho?

Harry – Não!

Vera – Amor não! Não me faças isso…eu gosto muito de ti!

Ele levantou-se do cadeirão sem prenunciar uma única palavra e voltou a pô-lo no lugar de onde nunca deveria ter saído. Acabei por me sentar na cama encostada à cabeceira da cama. Ele sentou-se no fundo da cama e ficou a olhar para mim. Após alguns segundos de “sofrimento” ele começou a aproximar-se de mim lentamente. Um sorriso rompeu na face séria dele o que me deixou com aquele friozinho na barriga. Aquele sorriso perfeito deixava-me completamente nas nuvens.

Finalmente tinha-se chegado para bem perto de mim. Conseguia ouvir a respiração dele e o batimento do coração também. Por incrível que pareça, estava ao mesmo ritmo que o meu, em plena sintonia. Aquele olhar dele fazia-me perder em pensamentos, em desejos, queria sentir o corpo dele bem juntinho ao meu. Mas esses não eram os planos dele. Ainda quis prolongar mais o meu sofrimento. Começou a percorrer com as pontas dos dedos o meu braço provocando-me pele de galinha. Ele estava a dar comigo em doida. Depois de chegar ao ombro desviou lentamente a bata que tinha no corpo para baixo e começou a percorre-lo com beijos demorados enquanto desviava o cabelo que caía sobre o ombro. Sempre que os lábios dele entravam em contacto com a minha pele provocavam-me espasmos. O meu corpo estremecia á medida que subia até ao pescoço. Conseguia senti-lo a sorrir sempre que o meu corpo vibrava de desejo. Ele estava a adorar deixar-me naquele estado de descontrolo emocional. Quando parou, levantou a cabeça e fitou-me com aquele sorriso perverso que tanto me deixava louca. Sentia o meu corpo desfalecer com a enorme vontade que tinha para beija-lo. Com a ajuda das duas mãos desviou o meu cabelo que estava na frente da cara e ficou a segura-lo com apenas uma mão. Com a outra acariciou a minha face enquanto se ia aproximando lentamente. Num momento repentino, acabou com a distância que nos separava. O beijo começou bastante calmo e delicado mas devido ao meu estado de desejo depressa acelerei. Ele atendeu ao meu pedido automaticamente. As nossas línguas entraram numa dança freneticamente harmoniosa. O desejo aumentava á medida que nos beijávamos. Uma das minhas mãos viajou instintivamente para o meio dos seus caracóis perfeitos envolvendo-os no meio dos meus dedos ao mesmo tempo que exercia uma ligeira pressão contra mim. Inconscientemente, agarrei a t-shirt dele na ponta e comecei a puxa-la para cima lentamente. Depressa a minha mão escapuliu-se para debaixo da t-shirt. No meio de tanto desejo e êxtase cravei as minhas unhas nas costas dele provocando-lhe um gemido.

Harry – Quem me dera estarmos agora na minha cama… - sussurrou-me ao ouvido com aquela voz de anjo – deixas-me completamente louco! – não disse nada. Voltei apenas a beija-lo e continuei a puxar a t-shirt dele para cima. Ele quebrou o beijo e sorriu – se continuares com isso, não me responsabilizo por aquilo que pode acontecer a seguir. Depois de começar não há volta a dar amor – estava fora de mim. Não me importava nada o que pudesse acontecer ali mesmo, na cama do hospital. Ele percebeu o que queria e voltou a unir os nossos lábios. Estávamos prestes a cometer uma loucura ali mesmo mas alguém bateu a porta. Separámo-nos num ápice. O Harry ajeitou rapidamente a t-shirt que estava mais para fora do corpo do que vestida, o que provocou o meu riso – tens a noção do que poderia ter aqui acontecido?

Vera – Tenho! Mas não te preocupes que terminamos em casa… - inclinei-me e dei-lhe um último beijo

Harry – Olha que vou cobrar…quando chegarmos não me escapas!

Vera – Eu também não quero fugir, amor! – voltaram a bater á porta. Ajeitei-me também e mandei entrar. De trás da porta apareceram os meus pais. A minha mãe quando viu o Harry sorriu ao contrário do meu pai.

Mãe – Bom dia filha, bom dia Harry! – exclamou – ainda estavas a dormir? Batemos duas vezes á porta mas tu não respondeste á primeira!

Vera – Não estava a dormir mas também não ouvi nada, só ouvi quando vos mandei entrar. Ouviste alguma coisa Harry?

Harry – Eu também não ouvi nada!

Mãe – Deixem lá, não faz mal – a minha mãe chegou-se ao pé de mim e deu-me um grande beijo na cara e depois abraçou-me durante algum tempo com bastante força.

Vera – Mãe, vais-me sufocar! – informei-a. Ela largou-me mas continuou a dar-me muitos beijos.

Pai – Não achas que estás a exagerar Amélia? Ela já está bem, vai ter alta daqui a nada…  

Mãe – Eu sei, mas eu hei-de preocupar-me sempre com a minha filha.    

Vera – Oh, tenho uma mãe muito protetora!

Passado alguns minutos de conversa é que reparei que o Miguel não estava presente. Achei desde logo estranho pois não era coisa do meu pai. Por isso decidi perguntar por ele.

Vera – Pai, o Miguel? – o meu pai olhou para o Harry. Vi logo que andava ali coisa. E não era bom de certeza – O que é que se passa?

Pai – Precisamos de falar sobre o Miguel… - começou o meu pai – ou melhor, porque não perguntas ao teu querido namorado o porquê do Miguel não estar aqui!

Vera – Harry?! – não estava a perceber nada daquela conversa – Harry!

Harry – Eu não faço a menor ideia porque é que ele não está aqui. Simplesmente falei com ele ontem e não sei de mais nada…

Vera – Vocês falaram?

Harry – Sim. Ele queria conversar comigo. Foi pouco depois de teres adormecido ontem…

Vera – E o que ele queria falar contigo? – antes que o Harry pudesse dizer alguma coisa o meu pai interrompeu-o abruptamente

Pai – O Miguel desistiu do casamento de repente e eu gostaria de saber o porquê! – fiquei estática com aquela noticia. Não conseguia acreditar que o Miguel quisesse acabar com o casamento

Harry – E porque não lhe pergunta diretamente o porquê do fim do noivado?

Pai – Se calhar já lhe perguntei mas ele não me respondeu. Disse apenas que tinha as suas razões mas que continuava a gostar muito da Vera. Eu tenho quase a certeza que tu és o culpado disto tudo…

Harry – Eu? Eu não fiz nada, não obriguei ninguém nem apontei arma nenhuma para ele desistir. Alem disso foi ele que veio ter comigo, se fosse por minha iniciativa, nunca falaríamos. Por isso não venha dizer que a culpa é minha…

Pai – Então quem é que é o culpado? Eles iam-se casar no início de Setembro, já estava praticamente tudo preparado e de repente, praticamente a um mês do casamento, diz que tem razões pessoais que o impedem de casar...por favor, não brinquem comigo! De certeza que teve culpa nesta decisão dele!

Harry – Digo e volto a repetir, nunca lhe pedi para ele fazer seja o que for. Por isso, se não se importa, gostaria que não voltasse a insinuar que tive culpa – depois do choque inicial não consegui intervir para acabar com aquela discussão mas assim que recuperei, falei de imediato

Vera – Pai já chega! – o meu pai que ia responder novamente ao Harry, quando em ouviu não disse nada – importa-se de me explicar o que realmente se está a passar?

Pai – O Miguel veio falar comigo e com a tua mãe sobre ti ontem á noite. Ao principio começou por dizer que estava muito grato por estar quase a pertencer á nossa família, que gostava muito de ti entre outras coisas. Depois disse que por gostar de ti é que queria acabar com o noivado. Perguntei-lhe o porquê de ter tomado essa decisão só agora, ele disse que era por razões pessoais.

Mãe – Ele também disse que se ia embora de Londres ainda naquela noite pois tinha acontecido uns problemas na empresa e ele tinha que voltar urgentemente para poder resolver o sucedido. Ele não queria ter ido, queria ter ficado aqui e contar-te tudo pessoalmente mas o problema é mesmo grave e não podia mandar outro para o substituir.

Vera – Então quer dizer que estou livre? Solteira? Que não me tenho de casar com ele? – não podia acreditar. Era bom demais. Só me apetecia saltar da cama e começar os pulos

Pai – Como é que és capaz de dizer isso com esse sorriso? Ele era o marido ideal, irias ter uma vida economicamente estável e sem problemas! Claro, já estou a perceber. Nunca reclamaste sobre o casamento mas desde que esse apareceu, mudaste drasticamente de ideias!

Vera – Pai! “Esse” tem nome, chama-se Harry se não te importas! Em segundo, tens razão. Nunca reclamei e esse foi o meu maior erro. Aceitar as tuas ideias foi o pior que podia ter feito.   

Mãe – Filha…

Vera – Não venhas com isso mãe. Pai, queres saber o porquê de ter aceite? Queres mesmo saber a verdade?

Pai – Diz!

Vera – Foi porque não te queria desiludir – pela primeira vez estava a contar o que realmente sentia. Eram demasiados anos de sorrisos falsos e de lágrimas escondidas. Estava farta. Quando proferi aquela frase, não consegui esconder as lágrimas –  Queria aproveitar o máximo de tempo que tínhamos juntos sem discutir, apenas a conversar sobre coisas alegres. Raramente estavas comigo e eu não conseguia dizer-te que não nos únicos momentos em que tinha um pai, já que eram tão escassos! Queria tanto que ficasses feliz, achava que se fizesse todas as tuas vontades, tu abdicavas de algum tempo que passas na empresa para estar comigo. Estúpida! Fui estúpida por achar que podia recuperar o tempo que perdeste longe de mim! Tinha sempre boas notas, raramente saía, nunca me meti em problemas mas nem aí te importavas comigo. Por isso, desculpa se te desiludi. Desculpa se não sou o filho que tanto desejavas! – já não conseguia dizer mais nada. As lágrimas consumiam agora toda a minha energia. Finalmente tinha dito tudo o que queria.

Mãe – Vera! Como é que nunca me disseste? Porque é que guardaste tudo só para ti?

Vera – Oh mãe. Tu também andavas ocupada…não tanto como o pai é certo mas também tinhas pouco tempo. E se te contasse, de certeza que irias dizer que estava a exagerar. Eu conheço-te mãe! Não valia a pena maçar-vos com os meus problemas.

Pai – Nós somos teus pais Vera!

Vera – Pais? Nem sabe o que isso é! Durante dezoito anos não tive pai, tive uma espécie de homem que de vez enquanto aparecia em casa e me dava ordens. Devia ser na altura em que se lembrava que tinha uma família…

Pai – Não sabia que te sentias assim…

Vera – Claro que não. Não passou tempo suficiente comigo para perceber realmente o que sinto. O Harry nestes dias já fez mais por mim do que o senhor em toda a sua vida! Por isso quero deixar aqui bem claro a ambos que não vou para Lisboa agora. Vou continuar em Londres pelo menos até ao fim do verão.

Mãe – Vera não queres reconsiderar?

Vera – Não mãe, não quero! Já agora, também vos vou informar que vou desistir do curso de gestão. Só o tinha posto nas minhas opções por causa do pai e como está na altura de haver mudanças e de ser eu a escolher o que realmente quero seguir, vou mudar para jornalismo.

Pai – Não podes estar a falar a sério pois não? E depois quem é que vai tomar conta das empresas?

Vera – É mesmo só isso que lhe interessa? As empresas? E eu? A minha felicidade não interessa? – aquela atitude do meu pai magoava-me ainda mais. Tinha percebido tarde demais que o tempo não se recupera e que não vale a pena viver sobre o passado – A minha decisão está tomada! Já está na hora de eu assumir o que realmente quero.

Mãe – Mas assim tão de repente? Tu sempre mostraste que gostavas de assumir, assim que o teu pai se reformasse, a direção da empresa.

Vera – Diz bem, mostrava. Não era o que realmente queria. Pode perguntar á Matilde se quiser, ou á Filipa, Joana, ou á Carla, tanto faz, elas são as únicas que sabiam o que realmente sentia. Estou farta de viver uma vida de fachada! – pela primeira vez olhei para o Harry. Á medida que a conversa foi evoluindo ele ia apertando com mais força a minha mão. Consegui ler-lhe nos lábios a frase “estou aqui contigo!”. Respondi-lhe na mesma maneira um “obrigada”. Virei-me novamente para o meu pai. – então, já não diz nada? Pelo menos assuma que errou, que passou demasiado tempo que se compra felicidade com dinheiro, ou que o mais importante é ter uma boa conta bancária do que ser feliz!

Pai – Tudo o que fiz foi a pensar em ti e na tua mãe. Pelos vistos fui mal interpretado, não sabia que me odiavas assim tanto!

Vera – Não percebes pai. Eu não te odeio, por muito que quisesse não consigo. Apesar de tudo o que se passou, simplesmente não consigo. És meu pai, sem ti não estaria aqui. A coisa que mais me magoa é o facto de achar que estava a fazer o melhor… - as lágrimas que tinham parado, agora tinham recomeçado - …espero bem que compreenda que fez tudo ao contrário.

Mãe – A culpa também é minha…como é que me posso considerar uma boa mãe se nem reparou no que se passava com a sua filha!

Vera – Não digas isso mãe. Tu és a melhor mãe que alguma vez pude ter. Sempre que precisei de ti tu estavas lá. Não tens que te reprimir por nada! Fizeste o teu trabalho na perfeição! Eu adoro-te mãe, és a mulher da minha vida! – as lágrimas corriam abundantemente sobre a minha face

Mãe – Filha! – a minha mãe tinha-me abraçado. Precisava tanto de sentir aquele abraço forte – Vera, tu és a pessoa mais importante na minha vida! Daria a minha vida por ti filha. Nunca te esqueças disso…

Vera – Nunca, mãe. Nunca! – depois do abraço o meu pai surpreendeu-me

Pai – Podem deixar-nos a sós só por uns minutinhos. É rápido!

Mãe – António o que pensas que vais fazer?

Pai – Amélia, não te preocupes. Preciso só de uns minutos com a minha filha! – o Harry olhou para mim á espera de uma resposta e abanei apenas com a cabeça em como poderia sair. O Harry levantou-se da cama e saiu do quarto juntamente com a minha mãe. O meu pai que estava no fundo do quarto, ao lado da cama, dirigiu-se até mim e sentou-se ao meu lado. Não sabia o que dizer, sentia tantas coisas, mágoa, tristeza entre outras coisas. Desviei o olhar dele por momentos para a janela e quando voltei a encarar o meu pai vi uma lágrima a escorrer-lhe pelo rosto. Senti o meu coração a estilhaçar-se. Doeu tanto e tão profundo que só me apetecia vomitar. Parecia que tinham espetado facas no meu coração devido á forte dor que estava a sentir. Ele voltou-se para mim e deu-me um beijo na testa e depois falou – desculpa… - levantou-se da cama e saiu do quarto. Queria tanto que aquela dor parasse. Só me apetecia arrancar o coração do peito e acabar com aquilo. Passado poucos segundos voltaram a entrar a minha mãe e o Harry mas o meu pai não. Limpei as lágrimas rapidamente.

Mãe – O que ele disse filha? Nunca o tinha visto assim…

Vera – Preferia que ficasse só entre mim e o pai, mãe. Se não te importares claro!

Mãe – Se é assim que queres….

Vera – Obrigada mãe.

Harry – O médico passou por aqui agora e disse que já podes sair. Já podes ir para casa…

Vera – Ok. Vou-me vestir… - a minha mãe antes de me deixar vestir deu-me um beijo e saiu do quarto. O Harry ia sair também mas agarrei-lhe o braço e não o deixei ir – abraça-me Harry! – pedi a chorar. Aquilo estava a ser demais para mim. Ele abraçou-me de imediato puxando-me bem para junto de si. Sentia-me protegida e momentaneamente acalmei-me.

Harry – Eu estou aqui amor… - sussurrou-me ao ouvido – não te vou deixar sofrer, prometo! Estarei sempre aqui… - não queria que ele me largasse nunca mais. Queria ficar assim para sempre.

Depois de descarregar todas as minhas emoções, fui-me vestir e saí do quarto. O meu pai continuava com a mesma cara de que tinha saído. Conseguia ver o sofrimento na cara dele e isso custava. E muito. Fomos ter com o resto do pessoal e assim que em viram vieram logo ter comigo. No meio de tantos abraços nem tive cabeça para pensar em nada.

Saímos do hospital e despedi-me dos meus pais. Eles iam voltar para Lisboa e eu ia ficar. A minha mãe voltou a dar aquelas recomendações do costume e ainda deu um beijo ao Harry. Ela também se despediu dos restantes ao contrário do meu pai, que não disse nada. Por mais incrível que pareça, não estava triste, sabia o quanto estava a custar-lhe assimilar tudo o que lhe disse.

Após as despedidas voltamos para casa da Matilde. Eles falavam todos alegremente menos eu e o Harry. Ele não me tinha largado desde que saímos do quarto para não me sentir sozinha. Não lhe conseguia demonstrar o quanto ele me estava a fazer bem. Quando chegamos a casa, a Carla e o Louis estavam bastante animados e pelos vistos tinham novidades. Embora eles estivessem contentes, as novidades não eram as melhores.
  



Espero que estejam a gostar. 
Os comentários são sempre importantes e um grande incentivo por isso obrigada!
Espero sinceramente não vos estar a desiludir...
Vou tentar publicar amanhã o próximo...


Liis