segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Capitulo 28





(Vera)

Despois do meu pai se ter ido embora fiquei ainda mais nervosa. Ele iria falar com o Harry. Na minha cabeça corriam imensos pensamentos negativos até que foram interrompidos pela entrada da minha mãe. Estava felicíssima por a ver.

Mãe – Filha… - disse ao abrir a porta do quarto. Chegou-se ao pé de mim e abraçou-me com bastante força – como é que estás?

Vera – Podia estar melhor se não me tivesses quase esmagado… - disse enquanto recuperava o folgo

Mãe – Desculpa…desculpa! Mas eu estou tão preocupada contigo Vera… - a minha mãe passou as mãos pelo meu corpo para ver se estava inteira

Vera – Sim, mãe! Estou inteirinha… - disse com um sorriso

Mãe – Nem sabes como é que fiquei preocupada quando o teu pai nos telefonou a dizer que estavas no hospital…

Vera – Como vês, estou bem. Pelo menos sinto-me bastante bem…

Mãe – Tens a certeza? Não queres que chame uma enfermeira para ver alguma coisa?

Vera – Pareces mesmo o pai! Quando ele entrou também me perguntou a mesma coisa! Eu estou bem, a sério…

Mãe – Estás numa cama de hospital, não é uma coisa boa.

Vera – Mas agora já passou…amanhã vou sair daqui e voltou para casa!

Mãe – Sim, amanhã vens logo para Portugal… - fiquei estática a olhar para ela. Não podia estar a acreditar no que estava a ouvir

Vera – Não mãe. Não percebeste. Casa significa Londres, aqui.

Mãe – Nem penses…agora quero-te perto de mim. Já apanhei um susto muito grande, não vou ficar sossegada se ficares aqui…

Vera – Mas porquê? Isto foi só um pequeno incidente…foi por ter andado há chuva! Não há perigo nenhum…prometo que não volto a faze-lo – disse convincentemente. Não queria ir para Portugal agora, não queria mesmo.

Mãe – Tu ainda és menor de idade, tens que obedecer aos teus pais…

Vera – Eu faço anos daqui a quatro dias! Deixa-me adivinhar, é por causa do que saiu nas revistas?

Mãe – Viste?

Vera – Quem é que não viu? A minha cara deve estar exposta por todos os quiosques portugueses como uma fugitiva!

Mãe – Não percebo como é que aquilo chegou á imprensa e principalmente o facto de teres vindo para Londres…

Vera – Por favor, mãe. Nota-se logo quem foi!

Mãe – Estás a insinuar que foram os Gouveia?

Vera – Não estou a insinuar, estou a afirmar. Eles andam a seguir todos os meus passos desde que o noivado foi oficial… - disse - o maldito casamento… - desabafei

Mãe – Não acredito que tenha sido isso. Houveram sempre paparazzi’s há nossa porta, algum deve ter-te seguido…

Vera – Oh mãe nem tu acreditas nisso! Sabes bem que as mulheres daquela família são piores que víboras e nenhuma me suporta. As únicas pessoas decentes são o Miguel e o pai.

Mãe – Sempre a exagerar…

Vera – Achas que estou a exagerar? Trata-se da minha vida, bolas! Eu sei que é muito conveniente e blá blá blá e mais a conversa de ser bom para os negócios também já a sei mas é a minha vida!

Mãe – Nunca te vi a falar dessa maneira…o que andaram a fazer-te?

Vera – Não andaram a fazer nada. Apenas percebi que há muito por que lutar e que não quero casar…

Mãe – Mas tu nunca te opuseste ao casamento…o que é que mudou?

Vera – Tudo, mãe. Tudo!

Mãe – Tudo o quê?

Vera – Aquilo que sinto. Aqui descobri algo que não estava á espera, encontrei algo por que lutar. Há uns dias atrás não me importava de casar mas agora…agora é tudo diferente.

Mãe – Estás apaixonada?

Vera – Sim!

Mãe – Ai filha…

Vera – Não acredito que não estejas feliz por mim…

Mãe – É claro que estou feliz mas…

Vera – Se estás a pensar no pai não te preocupes porque já me encarreguei de lhe contar que estou apaixonada e que não quero casar.

Mãe – E ele o que disse?

Vera – Que ia falar com ele!

Mãe – E quem é que é esse rapaz? É algum daqueles rapazes que estava lá fora?

Vera – Eu presumo que ele esteja lá fora, é o rapaz que tem o cabelo encaracolado…

Mãe – Ah…já sei quem é. Notava-se que estava um bocado nervoso, não parava quieto no lugar – um sorriso formou-se no meu rosto. Estava com medo que ele não estivesse lá ou que tivesse havido alguma discussão entre ele e o meu pai – o rapaz até é engraçado. Como é que se chama?

Vera – Harry. Harry Styles.

Mãe – Acho que já ouvi esse nome em algum lado…

Vera – Pois. É normal. Ele pertence aquela banda que eu estava sempre a ouvir, os One Direction.

Mãe – Estás a brincar?

Vera – Não mãe!

Mãe – Coitado do rapaz. Deve ter ficado surdo quando te conheceu…

Vera – Porque é que dizes isso?

Mãe – Então porque deves ter gritado muito…

Vera – Foi precisamente ao contrário, fiquei sem voz! Fiquei tipo estátua!

Mãe – Só tu minha filha, só tu! – ela fez uma pausa e olhou seriamente para mim – ele gosta de ti?

Vera – Isso tens de lhe perguntar e não a mim! Eu gosto dele e muito…

Mãe – Vera, tu sabes muito bem como é que são os namoros, as pessoas apaixonam-se e desapaixonam-se á velocidade da luz. Ainda mais nos famosos…tu pertences a esse mundo, sabes como é que as pessoas são.

Vera – Eu sei mãe. Mas ele não me conhecia de lado nenhum, não sabia que estava noiva nem que a minha família tinha uma enorme fortuna. Ele gosta de mim pelo que sou, não pelo meu nome que trago. Quem poderia pensar dessa maneira era ele porque eu é que o conhecia…

Mãe – Mesmo assim. O nome da nossa família não pode manchado por um rapaz qualquer que descobriu agora a fama.

Vera – O nosso nome fica manchado se tiver que me chamar Vera Gouveia! A sério mãe, eu nunca serei feliz se esta ideia do pai for em frente.

Mãe – A única coisa que te posso prometer é ir falar com ele…

Vera – Obrigada mãe.


(Harry)


O pai da Vera já tinha entrado a algum tempo. Aquela espera era desesperante, precisava de saber qual é que era a posição do pai dela perante o nosso relacionamento. Quando mais depressa pensava no assunto mais depressa ele vinha. Rapidamente se dirigiu a mim

Pai da Vera – Podemos falar?

Harry – Hummm – nem sabia o que dizer – claro! Claro…

Pai da Vera – Muito bem. Podemos ir lá fora…aqui existe demasiada gente para o meu gosto.

Harry – Sim, com certeza!

Pai da Vera – Vamos? – levantei-me do banco e olhei para eles. Todos tinham uma cara de pânico, parecia que me ia atirar de um abismo. Se calhar até ia…Não. Tinha que pensar positivo e dar a melhor imagem de mim, qualquer descuido era o fim do meu relacionamento com a Vera. Ao lado do hospital havia um jardim agradável por isso fomos para lá. Todo aquele percurso foi feito nos maiores dos silêncios. Parecia que estava á espera de ouvir a minha sentença de morte. Era mesmo um ambiente esquisito. Paramos num banco e sentámo-nos – vamos falar!

Harry – Sim… - estava mesmo muito nervoso, o pai da Vera devia estar a pensar que eu era algum parvinho que nem falar sabia – do que quer falar?

Pai da Vera – Em primeiro vamo-nos apresentar, o meu nome é António Machado de Lima, tenho 45 anos e tu?

Harry – O meu é Harry Edward Styles e tenho dezoito anos. – tudo aquilo parecia demasiado estranho mas continuei a responder

Pai da Vera – Tens o teu B.I contigo? – disse que sim – importaste de me mostrar? – definitivamente estava muito estranho. Tirei a minha carteira e dei-lho – muito bem Harry Styles! – Já percebi! Sou mesmo lento, queria ver se estava a dizer a verdade…realmente o homem pensa em tudo.

Pai da Vera – Eu sou empresário e tu o que fazes da vida ou o que pretendes fazer? – ele parecia que tinha saído de algum filme policial, sentia-me num interrogatório, só faltava estar num cubículo e sentado numa cadeira desconfortável.

Harry – Neste momento estou numa banda, os One Direction. A música é a minha paixão e é isso que quero fazer para o resto da vida.

Pai da Vera – Muito bem, temos um cantor. Suponhamos que, por algum motivo infeliz, a música tenha que sair da tua vida, não é que queira que isso aconteça, mas é possível. O que pretendes fazer?

Harry – Bem…sinceramente ainda não pensei muito nisso…

Pai da Vera – Fazes tu muito mal! – pronto. Está tudo estragado! – A Vera foi habituada a ter tudo o que queria, não é que ela seja mimada nem nada mas sempre tive possibilidades de lhe proporcionar o melhor para ela. Consegues perceber isto?

Harry – Sim sim! Perfeitamente.

Pai da Vera – Muito bem. Eu gosto muito dela, embora por vezes não tenha conseguido transmitir-lhe das melhores maneiras. Infelizmente, para conseguirmos sobreviver neste mundo, temos que trabalhar no duro. Sei que passei muito do tempo longe a trabalhar mas isso não significa que goste dela….

Harry – Mas ninguém disse o contrário…eu… - o pai da Vera estava com uma cara de poucos amigos. Não devia tê-lo interrompido – desculpe…prossiga!

Pai da Vera – Como eu ia a dizer, ela é a pessoa mais importante na minha vida. É a minha única filha e é a herdeira de todo o meu património. Tenho vindo a prepara-la para este mundo desde que soube que não iria ter mais filhos. – desta vez não me atrevi a interrompe-lo – presumo que já saibas do casamento…

Harry – Sim, a Vera contou-me.

Pai da Vera – Muito bem. Queria saber o que pensas sobre isso? – fiquei espantado com a pergunta. De certeza que tinha rasteira…o que respondo? Estou tramado

Harry – Bem, eu não tenho uma opinião muito bem formada sobre esse assunto porque só soube hoje e ainda estou um pouco atormentado com tudo isto. – tentei começar com uma frase neutra e composta – Pelo que a Vera me contou, ela está noiva de um rapaz chamado Miguel Gouveia – era impossível esquecer o nome que quer retirar-me a Vera – pelo que percebi, ela não gosta muito da ideia. Não é que o senhor a tenha obrigado mas ela só não recusou porque tem muito respeito por si. O problema é que agora ela tem alguém por quem lutar, eu! – quando acabei a frase nem acreditei no que tinha dito. Tinha falado demais…

Pai da Vera – Muito bem. O que acha que tem de melhor em relação ao Miguel para ela o ter escolhido? – aquelas perguntas estavam a queimar o meu cérebro. O que é ele queria com aquilo tudo…

Harry – Eu não sei o que tenho de melhor porque não o conheço. A única vez que o vi foi hoje no hospital, não posso dizer que tenha uma opinião sobre o rapaz. Mas uma coisa pode ter a certeza, o amor que a Vera sente é por mim. Essa pode ser a única coisa que nos distingue, o amor dela.

Pai da Vera – Muito bonito, quase comovente. O problema é que existe muitas outras coisas que vos diferenciam, e a principal é que ele lhe pode proporcionar um nível de vida estável que o Harry nunca será capaz de oferecer.

Harry – Eu até posso concordar com essa afirmação…

Pai da Vera – É obvio que concorda, é a verdade.

Harry – Desculpe mas agradecia que não me interrompesse – acho que pela primeira vez obtive um pouco de atenção por parte dele – como eu estava a dizer, é verdade que a profissão de cantor não é a mais estável de todas, estamos dependentes de muitos fatores exteriores a nós. Porém, não creio que isso seja o mais importante para a sua filha. Como o senhor disse, a Vera não é a habitual menina rica mimada e caprichosa, é muito mais do que isso. Quando ela me contou sobre a família dela fiquei estupefacto porque já tive oportunidade de conhecer pessoas bastante influentes e normalmente as raparigas são bastante insuportáveis quando vêm de famílias com fortunas avultadas. A Vera é diferente de todas as raparigas, não sei explicar no que é diferente, só sei que é especial – acabei de falar um pouco já sem folego. Tinha falado tão rapidamente que quase me engasgava por vezes.

Pai da Vera – Lindo discurso. Mas não me convence! Não são essas palavras, nem esse discurso que fazem com que o dinheiro venha parar á carteira. Eu não vou permitir que a minha filha passe necessidades porque decidiu que era giro namorar com um marmanjo qualquer que tem a mania que canta.

Harry – Desculpe mas agradecia que não me ofendesse. Não me lembro de lhe ter faltado ao respeito em algum momento.

Pai da Vera – Só disse o que pensava. Que eu saiba os cantores têm que saber lidar bem com a crítica não é?

Harry – Sim…

Pai da Vera – Bem me parecia. Olhe, sou-lhe bastante sincero. É um rapaz novo, com dezoito anos pode fazer tudo o que quiser, os namoros vão e vêm, tem fama, uma carreira a começar, imensas raparigas atrás de si. Tenho a certeza que encontrará uma substituta á minha filha…

Harry – O senhor não está a perceber… - ele interrompeu-me

Pai da Vera – Estou sim senhor. Vou levar a Vera amanhã para Portugal novamente e não terá mais qualquer contacto com ela.

Harry – Mas…

Pai da Vera – Não se preocupe que com a sua idade rapidamente se volta a encantar por outra rapariga.

Harry – Eu não quero outra rapariga, quero a Vera! O senhor não a pode levar…

Pai da Vera – E porquê? Ela é menor de idade e tem que respeitar as ordens dos pais. Ela vai para Portugal amanhã e não há discussão.

Harry – Não vai conseguir prende-la para sempre. Ela está quase a fazer anos, daqui a quatro dias, quando fizer os dezoito anos ela volta para Londres. Aí o senhor já não posso fazer nada. 

Pai da Vera – Aí é que se engana! É nesse momento que entra dizendo que não quer que ela volte para Londres…

Harry – O quê? Eu não vou fazer isso…

Pai da Vera – Vai sim senhor. Pareces-me ser um rapaz sensato e como tal não creio que queiras que a tua namorada esteja de costas voltadas com a família. É isso que vai acontecer se ela voltar para aqui ou ter algum contacto consigo.

Harry – Não pode fazer isso…

Pai da Vera – Posso e vou fazer se me obrigar a isso. Pense nisso! Ainda tem tempo…um resto de boa noite.

Harry - …boa noite!

Estava incrédulo com tudo o que tinha ouvido. Por um lado não queria que ela se afastasse de mim mas por outro a família é sempre importante e não queria que ela se zangasse com a dela. Não podia separar uma família por minha causa. Estava demasiado confuso, não sabia o que pensar nem o que fazer.

Liam – Hey, então? Como é que correu a conversa? – os rapazes tinham acabado de chegar, tinham-se sentado ao meu lado – correu assim tão mal?

Harry – Nem sei! Foi uma conversa muito estranha e acabou pessimamente mal.

Niall – Como é que é?

Harry – Basicamente o pai dela não concorda com o nosso namoro!

Zayn – E o que vais fazer? Não podes deixar que ele manipule assim a vida da filha pois não?

Harry – Não é assim tão simples Zayn! Há muito mais para além disso…

Liam – E não nos quer explicar?

Harry – O pai dela meteu-me literalmente entre a espada e a parede. Não sei o que fazer…

Niall – Que tal parares de falar por meias palavras…não percebo nada! Afinal o que ele te disse?

Harry – Desculpem mas não posso dizer. Sabem se está alguém no quarto da Vera?

Zayn – Quando saímos a mãe dela ainda lá estava…a seguir deve ser o Miguel…

Harry – Nem pensar! Sou eu o próximo… - levantei-me do banco e corri até á sala de espera. Para minha alegria, estava a chegar ao mesmo tempo a mãe da Vera. Ela foi falar com o Miguel, devia ser para lhe dizer que já podia entrar mas antecipei-me – desculpe mas eu preciso de falar com a Vera urgentemente. – disse á mãe dela

Mãe da Vera – Mas…

Harry – É rápido. Preciso mesmo de falar com ela… - nem deixei a senhora acabar de falar e dirigi-me ao quarto dela. O meu coração batia ferverosamente, estava num estado de nervos horrível. Fechei os olhos e entrei dentro do quarto.



  


Espero que esteja do vosso agrado!
Estou muito feliz por saber que estão a gostar e isso sem dúvida é uma excelente fonte de inspiração!


Obrigada,


Liis

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Never forget me


PARTE I

Tinha passado uma semana desde que Adrianna tinha deixado Inglaterra para umas merecidas mini férias da faculdade em Portugal. O primeiro dia corre sempre bem, voltar a ver a família era sempre um momento inexplicável.  Mas eram nesses mesmos momentos, de pura felicidade, que se misturava a saudade que nutria pelo seu amigo de longa data. Aquela saudade era diferente de todas as que sentia, no dia em que despedira dele para vir para Portugal já sentia uma enorme saudade por não ver todos os dias aquele cabelo encaracolado que o tanto caracterizava, ou o sorriso que a contagiava de uma maneira especial. Todas as amigas lhe diziam que estava “in love” mas Adrianna não acreditava. Não podia estar apaixonada pelo melhor amigo, não podia. Quando mais lutava para afundar aquele sentimento lá bem no fundo do coração mais ele tinha força para vir ao de cima e manifestar-se.

Adrianna estava sentada na sala de espera do aeroporto quando recebe a notícia via altifalante que o voo para Londres estava atrasado. Olhou para o relógio rapidamente e desejou que fosse mentira. Contou as horas mentalmente até ás nove horas da noite e apenas lhe faltava duas horas e meia para chegar a Londres. Se o voo estava atrasado era praticamente impossível estar em Londres há hora do início concerto do seu amigo. Um aperto no coração formou-se quando pouco tempo depois se apercebeu que iria mesmo faltar ao concerto. Abriu a sua mala tristemente, e procurou o seu telemóvel no meio da habitual bagunça que se encontrava a mala. Assim que achou aquele pequeno objeto branco viajou pelos seus contactos e ligou-lhe.

- Hello beautiful! – respondeu o rapaz que tanto queria ouvir do outro lado com aquele sotaque inglês que a fazia sorrir instintivamente

- Hello sweet! – respondeu calmamente, rasgando imediatamente nos lábios um sorriso genuíno, detentor da felicidade que sentiu assim que escutou aquela voz tão característica. Apesar do sorriso e da voz serena, Harry percebeu de imediato que algo não estava bem por isso, sem grandes demoras perguntou-lhe

- O que se passa Dri? – a voz de preocupação do amigo já era notória o que deixou Adrianna ainda mais triste. Harry olhou para o relógio que trazia no pulso e reparou que já estaria na hora da amiga estar no voo – Não devias estar já em pleno voo?

- Pois…devia mas não estou! – respondeu-lhe triste ao mesmo tempo que olhava para a placa das partidas na esperança que o seu voo estivesse prestes a sair – aconteceu um imprevisto!

- Então? Não me digas que não vens a tempo do concerto? – a tristeza apoderou-se na voz dele

- Desculpa Harry mas é fisicamente impossível estar aí a tempo do concerto. O voo está mesmo atrasado e só devo conseguir chegar já para o final! – Harry que se encontrava com a restante banda a preparar os últimos retoques para o último concerto da tour, sentou-se em cima de umas colunas de som. Não queria acreditar que não estaria com ela antes de entrar no palco, sem receber o beijo dela que dava sempre na face esquerda. Que segundo ela, dava sorte! – desculpa! Devia ter vindo no voo antes…não devia ter deixado para a última!

- Não digas isso princesa! Só querias ficar mais um tempinho com a tua família…

- Mesmo assim Harry! Eu queria tanto estar aí… - por momentos iria escapar-lhe o que realmente ia no coração e que tanto suprimia há já vários anos, acabando com a frase apenas no seu pensamento, “… contigo”.     

- Eu só quero que chegues a Londres, daqui a uma hora, duas, quatro, amanhã, depois, não interessa! Haverá outros tantos concertos para tu assistires… - Harry reparou que os seus amigos tinham parado o ensaio e estavam a olha-lo atentamente. Ele fez sinal para continuarem que depois lhes contava.

- Cada um é diferente e tu sabes disso…mas pronto, não posso fazer nada agora senão esperar.

- Pode ser que ainda chegues a tempo de ver qualquer coisa… - Harry não conseguia esconder a tristeza que habitava no seu coração. Tinha preparado para aquele último concerto da tour um pequeno momento para lhe mostrar o quanto gostava dela e o quanto era importante para ele a presença dela. Estava a preparar o seu discurso há semanas e hoje, até tinha acordado mais nervoso do que nunca só por causa daqueles dois minutos. Infelizmente, tinha que cancelar. – … eu por acaso até tinha uma pequena surpresa para ti, mas assim vou ter que cancelar!

- Ui, e o que era menino Harry? O que é andaste a tramar?

- Isso já não posso dizer…

- Então? Não me podes dizer uma coisa dessas e depois deixares-me curiosa! Isso não se faz… - Harry sorriu. Imaginou na perfeição a expressão da face da Adriana que tanto tinha saudades de ver, as sobrancelhas arqueadas e a mordiscar o lábio inferior.

- Ahah. Lá por estares a morder o lábio não vai adiantar nada princesa!

- Rssrrs! Não gosto de ti…vou ficar em Lisboa!

- O quê? Não…não!

- Então conta-me…

- Isso é chantagem…vou contar para a policia que ando a ser vítima de chantagem por parte de ti. Depois eles proíbem-te de me veres…

- Não serias capaz! Tu sabes que morria se isso acontecesse…

- Eu só não o faço porque morreria também…

- Oh. Tu és um fofo…

- Tu também és uma fofa muito fofa…

- Lá vão aqueles dois começarem com as piroseiras – desabafou Louis ao começar a ouvir o amigo – é melhor ir chama-lo antes que eles nunca mais se larguem!

- Sim, é melhor. Ontem eles falaram mais de duas horas ao telefone… - relembrou Liam – e ainda diz que não gosta dela…que é só como amiga!

- Que podemos fazer? Ele é casmurro e ela também… - disse o Niall enquanto ia buscar qualquer coisa para comer – vão lá chama-lo para acabarmos isto!

- Já estou a ir! – Louis dirigiu-se até ao Harry e retirou-lhe o telemóvel da mão

- Ei! Dá cá isso… - reclamou Harry

- Harry? – do outro lado da linha, Adrianna não estava a perceber nada do que se passava – estás aí?

- Hello Dri! – exclamou Louis enquanto corria pelo palco para fugir do Harry

- Olá Lou! Como é que estás?

- Eu estou bem e estaria melhor ainda se pudesse terminar o ensaio! Se não te importares, vamos roubar o Harry por momentos e depois já podes falar com ele…

- Claro que não me importo! Assim sendo, falamos só quando chegar a Londres porque daqui a pouco devo entrar no avião. Olha, antes que me esqueça, pergunta ao Harry se ele não se esqueceu de levar o meu carro ao aeroporto…

- Ok, espera. – Louis parou de correr e Harry fez o mesmo – Harry, levaste o carro da Dri ao aeroporto não levaste? – a expressão de Harry disse tudo. Tinha-se esquecido completamente desse pequeno pormenor. – Sim, Dri. Ele não se esqueceu… - omitiu

- Ainda bem! Então até logo e boa sorte para o concerto! Vocês são os melhores!

- Nós sabemos! Até logo… - Louis olhou para o Harry com ar de gozo – ahah! Como é que é possível que te tenhas esquecido de levar o carro da rapariga ao aeroporto?

- Foram tantas coisas nestes últimos dias com os concertos que me esqueci por completo! – disse Harry enquanto elevava as mãos á cabeça – ela mata-me se souber que me esqueci…

- Ela matar-te?! – exclamou Liam – Ahah! Essa até eu pagava para ver!

- Pagávamos todos! – completou Niall

- Podes crer! Recriavam o Romeu e Julieta…sim, isto porque depois de te matar ela suicida-se porque não consegue viver sem ti… - brincou Louis

- Vocês importam-se de parar com isso? – disse Harry zangado – tenho que pensar numa solução!

- Agora? – perguntou o Zayn – Vais a voar até casa dela para ires buscar o carro? Temos que acabar isto…

- Vou pedir a alguém que o vá buscar a casa dela…é a melhor solução!

- E ainda diz que não gosta dela! Isto do amor ser cego é bem verdade…aqueles  dois estão apaixonados e não vêm isso! – desabafou Louis ao Liam

- Eu estou com o Niall…são duas cabeças duras e sinceramente não vejo o Harry a dar o primeiro passo!

- Nem ele nem ela! Dizer ao Harry que ela gosta dele é a mesma coisa que falar para uma parede…

- Que podemos fazer? As raparigas já falaram com a Dri mas ela continua a negar… - constatou Liam

- Abrimos a cabeça aos dois!!

- Vocês estão aí á conversa a fazer o quê? – reclamou Harry depois de ter resolvido o problema do carro – ‘bora lá! Temos um concerto para preparar…

- Já estamos a ir! – gritou Louis – Sabes o que isso significa quando ele está assim não sabes? – perguntou ao Liam

- A Adrianna está a chegar… - os rapazes voltaram para junto dos restantes e continuaram o ensaio

****

Assim que chegou ao parque de estacionamento procurou o seu carro vermelho no meio de tantos outros. Depois de alguns minutos à procura do carro finalmente o encontrou, olhou para o relógio e viu que estava mesmo em cima da hora. Provavelmente ainda conseguiria ver o final do concerto. Pôs-se a caminho o mais rapidamente que conseguiu mas o trânsito estava infernal, o que fez com que perdesse imenso tempo. Quando chegou ao local do concerto saiu imediatamente do carro e correu até á entrada. Ainda esteve uns segundos á espera para encontrar as suas credenciais para poder entrar – malas de mulheres, uma verdadeira confusão – assim que passou pelos corredores de acesso e se aproximava da entrada do palco ouviu uma apoteose salva de palmas e gritos.  

- Acho que vou esperar no camarim por eles… - disse Adrianna para o segurança que a acompanhava

- Ainda nem acredito nisto! Viram bem o que nos aconteceu…nem tenho palavras! – exclamou Niall ao saírem do palco completamente esgotados mas muito contentes

- Foi espetacular…este pode ter sido o último mas mesmo assim ainda me consigo surpreender com a quantidade de fãs que vêm! – disse Liam – por momentos pensei que isto vinha a baixo!

- Podes crer! As fãs são fantásticas… - constatou Zayn

- É sem dúvida um dos melhores momentos da minha vida… - ia dizendo Harry enquanto abria a porta do camarim. Assim que viu Adrianna sentada no puf azul que se encontrava no fundo da sala, um enorme sorriso formou-se nos lábios. Era sem dúvida um dos melhores momentos da sua vida. Contemplou-a durante vários segundos, o cabelo castanho encaracolado comprido que a tanto caracterizava continuava lindo como sempre. Ela tinha feito uma trança de lado que tanto agradava a Harry.

- Epah, vais ficar á porta! – Louis empurrou-o para a frente o que despertou a atenção de Adrianna que estava concentrada no telemóvel. Assim que o viu, levantou-se num ápice e abraçou-o. Era como se não se vissem há anos. Harry voltou a sentir os lábios da amiga na bochecha. Aquele beijo animava-o sempre, não por ser na cara, não por ser depois de uma semana sem a ver, mas sim por ser dela. Ele gostava dela, Harry estava consciente que estava apaixonado mas não queria perder aqueles carinhos que ela fazia. Os beijos, a forma como ela mexia no cabelo dele, a forma como lhe dava os bons dias ou até a forma como lhe dava na cabeça, ele não queria perder nada disso. Se lhe dissesse tudo o que lhe ia na alma poderia perder, não a amiga mas todos aqueles momentos que lhe proporcionavam todo aquele calor no coração – então e nós? – reclamou Louis – não somos ninguém?

- Sorry! – largou o Harry e foi cumprimentar os restantes membros da banda, a Danielle e a Eleanor – então como é que correu o concerto? – disse enquanto Harry voltava a abraçar a amiga

- Correu de forma inacreditável! Foi brutal… - respondeu o Zayn

- Devias ter visto, o Harry ia sendo comido pelas fãs quando se aproximou demasiado da plateia… - disse o Louis – ia sendo devorado…

- Mas quem é que te quer comer? Só se for para ficar com uma indigestão! – provocou Adrianna

- Eu cheio de saudades tuas e tu começas logo a embirrar comigo… - disse Harry triste

- Oh! Pronto…coitadinho do meu menino que ficou triste… - Adrianna deu-lhe um beijo na face – melhor?

- Nem imaginas o quanto…. – respondeu o Louis. Harry fuzilou com o olhar Louis, tinha ficado muito vermelho com aquela afirmação – acho que falei demais…

- Não estou a perceber nada…. – suspirou Adrianna – devem ser coisas vossas…

Adrianna dirigiu-se á sua mala castanha e tirou de lá a carta que iria decidir o seu futuro. Se ficasse em Londres tinha prometido a si mesma que contaria o que realmente sentia pelo Harry mas se fosse para Los Angeles não lhe contaria nada. Achava que com a distancia, tudo acabava por desaparecer…

- Harry preciso de te contar uma coisa… - Adrianna estava ansiosa por saber que noticia é que lhe trazia aquela carta mas ao mesmo tempo também não queria abrir porque tinha medo que isso a levasse para bem longe do Harry.

- Diz princesa. – Harry foi ter com ela a um canto do camarim

- Já recebi a carta da Universidade de Los Angeles mas ainda não tive coragem de a abrir. Queria abri-la ao pé de ti… - disse meia a tremer

Harry nem queria acreditar no que tinha acabado de ouvir. Desde que soube que Adrianna andava a planear inscrever-se naquela faculdade sempre a apoiara a seguir em frente. Harry sabia o quão importante era para ela a entrada naquela faculdade, era o sonho dela e não queria que ela desistisse. Mas por outro lado, travava uma luta diária sem saber se era aquele o último dia em que podia estar com Adrianna. Por muito que houvesse as novas tecnologias e que Los Angeles parecesse mesmo aqui ao lado, não era a mesma coisa. Não lhe podia tocar…

- Seja qual for a resposta que esteja nessa carta, será o melhor para ti. Tenho a certeza… - tranquilizou-a dando-lhe um beijo na testa. Adrianna abriu a carta e os seus olhos percorreram aquelas linhas rapidamente até chegar á palavra que tanto esperava – então?

- Fui aceite Harry… - disse muito baixo ainda sem acreditar no que estava a ler. Voltou a reler aquela linha e olhou para o Harry – Fui aceite! 




Espero que tenham gostado da primeira parte! Publico a segunda quando tiver 10 comentários...
O capitulo 28 sai amanha, se nada correr mal até então!

Liis

Never forget me

Esta é a primeira mini-história, chama-se Never forget me. Terá três partes.

Personagens:


Adrianna Vale – Tem dezoito anos e vive em Londres. É filha de pais portugueses que emigraram para Inglaterra mas tem nacionalidade inglesa. Os pais voltaram para Portugal quando esta tinha dezasseis anos mas devido aos estudos decidiu continuar em Inglaterra. Ficou aos cuidados da melhor amiga da mãe e o filho, Harry Styles, é o seu melhor amigo. Ela tem um enorme talento para o desenho e quer fazer disso profissão por isso inscreveu-se numa faculdade em Los Angeles e está á espera da resposta.

Harry Styles - Não é necessária apresentação!:P


Sinopse  


“Quando é que aquele sentimento tão genuíno e puro se transformou num amor impossível? Preferia infinitas vezes voltar aquele tempo de infância em que brincávamos juntos, em que nos riamos de coisas parvas que na altura faziam todo o sentido, da forma como corrias para o pé de mim sempre que me magoava e fazias caretas para não pensar na dor. Não queria voltar a esse tempo por sermos crianças mas sim porque ainda não estava nesta encruzilhada. O amor é para ser algo maravilhoso e não para ser um sofrimento. Sempre que vou ter contigo é isso que sinto, quando te abraço o meu coração fica tão apertado que doí só de ver. Queria poder dizer-te que te amo com todas as minhas forças mas se o fizer perco-te. Deixo de poder fazer aqueles pequenos gestos que fazem com que o meu dia tenha algum sentido. Prefiro que continues a chamar-me melhor amiga e que me trates como se fosse tua irmã do que arriscar e perder a minha razão de viver.”
Adrianna V. 




Espero que tenham gostado =)
Se tiver bastantes comentários positivos ainda ponho hoje a primeira parte!

    Liis