domingo, 26 de fevereiro de 2012

Never forget me


PARTE I

Tinha passado uma semana desde que Adrianna tinha deixado Inglaterra para umas merecidas mini férias da faculdade em Portugal. O primeiro dia corre sempre bem, voltar a ver a família era sempre um momento inexplicável.  Mas eram nesses mesmos momentos, de pura felicidade, que se misturava a saudade que nutria pelo seu amigo de longa data. Aquela saudade era diferente de todas as que sentia, no dia em que despedira dele para vir para Portugal já sentia uma enorme saudade por não ver todos os dias aquele cabelo encaracolado que o tanto caracterizava, ou o sorriso que a contagiava de uma maneira especial. Todas as amigas lhe diziam que estava “in love” mas Adrianna não acreditava. Não podia estar apaixonada pelo melhor amigo, não podia. Quando mais lutava para afundar aquele sentimento lá bem no fundo do coração mais ele tinha força para vir ao de cima e manifestar-se.

Adrianna estava sentada na sala de espera do aeroporto quando recebe a notícia via altifalante que o voo para Londres estava atrasado. Olhou para o relógio rapidamente e desejou que fosse mentira. Contou as horas mentalmente até ás nove horas da noite e apenas lhe faltava duas horas e meia para chegar a Londres. Se o voo estava atrasado era praticamente impossível estar em Londres há hora do início concerto do seu amigo. Um aperto no coração formou-se quando pouco tempo depois se apercebeu que iria mesmo faltar ao concerto. Abriu a sua mala tristemente, e procurou o seu telemóvel no meio da habitual bagunça que se encontrava a mala. Assim que achou aquele pequeno objeto branco viajou pelos seus contactos e ligou-lhe.

- Hello beautiful! – respondeu o rapaz que tanto queria ouvir do outro lado com aquele sotaque inglês que a fazia sorrir instintivamente

- Hello sweet! – respondeu calmamente, rasgando imediatamente nos lábios um sorriso genuíno, detentor da felicidade que sentiu assim que escutou aquela voz tão característica. Apesar do sorriso e da voz serena, Harry percebeu de imediato que algo não estava bem por isso, sem grandes demoras perguntou-lhe

- O que se passa Dri? – a voz de preocupação do amigo já era notória o que deixou Adrianna ainda mais triste. Harry olhou para o relógio que trazia no pulso e reparou que já estaria na hora da amiga estar no voo – Não devias estar já em pleno voo?

- Pois…devia mas não estou! – respondeu-lhe triste ao mesmo tempo que olhava para a placa das partidas na esperança que o seu voo estivesse prestes a sair – aconteceu um imprevisto!

- Então? Não me digas que não vens a tempo do concerto? – a tristeza apoderou-se na voz dele

- Desculpa Harry mas é fisicamente impossível estar aí a tempo do concerto. O voo está mesmo atrasado e só devo conseguir chegar já para o final! – Harry que se encontrava com a restante banda a preparar os últimos retoques para o último concerto da tour, sentou-se em cima de umas colunas de som. Não queria acreditar que não estaria com ela antes de entrar no palco, sem receber o beijo dela que dava sempre na face esquerda. Que segundo ela, dava sorte! – desculpa! Devia ter vindo no voo antes…não devia ter deixado para a última!

- Não digas isso princesa! Só querias ficar mais um tempinho com a tua família…

- Mesmo assim Harry! Eu queria tanto estar aí… - por momentos iria escapar-lhe o que realmente ia no coração e que tanto suprimia há já vários anos, acabando com a frase apenas no seu pensamento, “… contigo”.     

- Eu só quero que chegues a Londres, daqui a uma hora, duas, quatro, amanhã, depois, não interessa! Haverá outros tantos concertos para tu assistires… - Harry reparou que os seus amigos tinham parado o ensaio e estavam a olha-lo atentamente. Ele fez sinal para continuarem que depois lhes contava.

- Cada um é diferente e tu sabes disso…mas pronto, não posso fazer nada agora senão esperar.

- Pode ser que ainda chegues a tempo de ver qualquer coisa… - Harry não conseguia esconder a tristeza que habitava no seu coração. Tinha preparado para aquele último concerto da tour um pequeno momento para lhe mostrar o quanto gostava dela e o quanto era importante para ele a presença dela. Estava a preparar o seu discurso há semanas e hoje, até tinha acordado mais nervoso do que nunca só por causa daqueles dois minutos. Infelizmente, tinha que cancelar. – … eu por acaso até tinha uma pequena surpresa para ti, mas assim vou ter que cancelar!

- Ui, e o que era menino Harry? O que é andaste a tramar?

- Isso já não posso dizer…

- Então? Não me podes dizer uma coisa dessas e depois deixares-me curiosa! Isso não se faz… - Harry sorriu. Imaginou na perfeição a expressão da face da Adriana que tanto tinha saudades de ver, as sobrancelhas arqueadas e a mordiscar o lábio inferior.

- Ahah. Lá por estares a morder o lábio não vai adiantar nada princesa!

- Rssrrs! Não gosto de ti…vou ficar em Lisboa!

- O quê? Não…não!

- Então conta-me…

- Isso é chantagem…vou contar para a policia que ando a ser vítima de chantagem por parte de ti. Depois eles proíbem-te de me veres…

- Não serias capaz! Tu sabes que morria se isso acontecesse…

- Eu só não o faço porque morreria também…

- Oh. Tu és um fofo…

- Tu também és uma fofa muito fofa…

- Lá vão aqueles dois começarem com as piroseiras – desabafou Louis ao começar a ouvir o amigo – é melhor ir chama-lo antes que eles nunca mais se larguem!

- Sim, é melhor. Ontem eles falaram mais de duas horas ao telefone… - relembrou Liam – e ainda diz que não gosta dela…que é só como amiga!

- Que podemos fazer? Ele é casmurro e ela também… - disse o Niall enquanto ia buscar qualquer coisa para comer – vão lá chama-lo para acabarmos isto!

- Já estou a ir! – Louis dirigiu-se até ao Harry e retirou-lhe o telemóvel da mão

- Ei! Dá cá isso… - reclamou Harry

- Harry? – do outro lado da linha, Adrianna não estava a perceber nada do que se passava – estás aí?

- Hello Dri! – exclamou Louis enquanto corria pelo palco para fugir do Harry

- Olá Lou! Como é que estás?

- Eu estou bem e estaria melhor ainda se pudesse terminar o ensaio! Se não te importares, vamos roubar o Harry por momentos e depois já podes falar com ele…

- Claro que não me importo! Assim sendo, falamos só quando chegar a Londres porque daqui a pouco devo entrar no avião. Olha, antes que me esqueça, pergunta ao Harry se ele não se esqueceu de levar o meu carro ao aeroporto…

- Ok, espera. – Louis parou de correr e Harry fez o mesmo – Harry, levaste o carro da Dri ao aeroporto não levaste? – a expressão de Harry disse tudo. Tinha-se esquecido completamente desse pequeno pormenor. – Sim, Dri. Ele não se esqueceu… - omitiu

- Ainda bem! Então até logo e boa sorte para o concerto! Vocês são os melhores!

- Nós sabemos! Até logo… - Louis olhou para o Harry com ar de gozo – ahah! Como é que é possível que te tenhas esquecido de levar o carro da rapariga ao aeroporto?

- Foram tantas coisas nestes últimos dias com os concertos que me esqueci por completo! – disse Harry enquanto elevava as mãos á cabeça – ela mata-me se souber que me esqueci…

- Ela matar-te?! – exclamou Liam – Ahah! Essa até eu pagava para ver!

- Pagávamos todos! – completou Niall

- Podes crer! Recriavam o Romeu e Julieta…sim, isto porque depois de te matar ela suicida-se porque não consegue viver sem ti… - brincou Louis

- Vocês importam-se de parar com isso? – disse Harry zangado – tenho que pensar numa solução!

- Agora? – perguntou o Zayn – Vais a voar até casa dela para ires buscar o carro? Temos que acabar isto…

- Vou pedir a alguém que o vá buscar a casa dela…é a melhor solução!

- E ainda diz que não gosta dela! Isto do amor ser cego é bem verdade…aqueles  dois estão apaixonados e não vêm isso! – desabafou Louis ao Liam

- Eu estou com o Niall…são duas cabeças duras e sinceramente não vejo o Harry a dar o primeiro passo!

- Nem ele nem ela! Dizer ao Harry que ela gosta dele é a mesma coisa que falar para uma parede…

- Que podemos fazer? As raparigas já falaram com a Dri mas ela continua a negar… - constatou Liam

- Abrimos a cabeça aos dois!!

- Vocês estão aí á conversa a fazer o quê? – reclamou Harry depois de ter resolvido o problema do carro – ‘bora lá! Temos um concerto para preparar…

- Já estamos a ir! – gritou Louis – Sabes o que isso significa quando ele está assim não sabes? – perguntou ao Liam

- A Adrianna está a chegar… - os rapazes voltaram para junto dos restantes e continuaram o ensaio

****

Assim que chegou ao parque de estacionamento procurou o seu carro vermelho no meio de tantos outros. Depois de alguns minutos à procura do carro finalmente o encontrou, olhou para o relógio e viu que estava mesmo em cima da hora. Provavelmente ainda conseguiria ver o final do concerto. Pôs-se a caminho o mais rapidamente que conseguiu mas o trânsito estava infernal, o que fez com que perdesse imenso tempo. Quando chegou ao local do concerto saiu imediatamente do carro e correu até á entrada. Ainda esteve uns segundos á espera para encontrar as suas credenciais para poder entrar – malas de mulheres, uma verdadeira confusão – assim que passou pelos corredores de acesso e se aproximava da entrada do palco ouviu uma apoteose salva de palmas e gritos.  

- Acho que vou esperar no camarim por eles… - disse Adrianna para o segurança que a acompanhava

- Ainda nem acredito nisto! Viram bem o que nos aconteceu…nem tenho palavras! – exclamou Niall ao saírem do palco completamente esgotados mas muito contentes

- Foi espetacular…este pode ter sido o último mas mesmo assim ainda me consigo surpreender com a quantidade de fãs que vêm! – disse Liam – por momentos pensei que isto vinha a baixo!

- Podes crer! As fãs são fantásticas… - constatou Zayn

- É sem dúvida um dos melhores momentos da minha vida… - ia dizendo Harry enquanto abria a porta do camarim. Assim que viu Adrianna sentada no puf azul que se encontrava no fundo da sala, um enorme sorriso formou-se nos lábios. Era sem dúvida um dos melhores momentos da sua vida. Contemplou-a durante vários segundos, o cabelo castanho encaracolado comprido que a tanto caracterizava continuava lindo como sempre. Ela tinha feito uma trança de lado que tanto agradava a Harry.

- Epah, vais ficar á porta! – Louis empurrou-o para a frente o que despertou a atenção de Adrianna que estava concentrada no telemóvel. Assim que o viu, levantou-se num ápice e abraçou-o. Era como se não se vissem há anos. Harry voltou a sentir os lábios da amiga na bochecha. Aquele beijo animava-o sempre, não por ser na cara, não por ser depois de uma semana sem a ver, mas sim por ser dela. Ele gostava dela, Harry estava consciente que estava apaixonado mas não queria perder aqueles carinhos que ela fazia. Os beijos, a forma como ela mexia no cabelo dele, a forma como lhe dava os bons dias ou até a forma como lhe dava na cabeça, ele não queria perder nada disso. Se lhe dissesse tudo o que lhe ia na alma poderia perder, não a amiga mas todos aqueles momentos que lhe proporcionavam todo aquele calor no coração – então e nós? – reclamou Louis – não somos ninguém?

- Sorry! – largou o Harry e foi cumprimentar os restantes membros da banda, a Danielle e a Eleanor – então como é que correu o concerto? – disse enquanto Harry voltava a abraçar a amiga

- Correu de forma inacreditável! Foi brutal… - respondeu o Zayn

- Devias ter visto, o Harry ia sendo comido pelas fãs quando se aproximou demasiado da plateia… - disse o Louis – ia sendo devorado…

- Mas quem é que te quer comer? Só se for para ficar com uma indigestão! – provocou Adrianna

- Eu cheio de saudades tuas e tu começas logo a embirrar comigo… - disse Harry triste

- Oh! Pronto…coitadinho do meu menino que ficou triste… - Adrianna deu-lhe um beijo na face – melhor?

- Nem imaginas o quanto…. – respondeu o Louis. Harry fuzilou com o olhar Louis, tinha ficado muito vermelho com aquela afirmação – acho que falei demais…

- Não estou a perceber nada…. – suspirou Adrianna – devem ser coisas vossas…

Adrianna dirigiu-se á sua mala castanha e tirou de lá a carta que iria decidir o seu futuro. Se ficasse em Londres tinha prometido a si mesma que contaria o que realmente sentia pelo Harry mas se fosse para Los Angeles não lhe contaria nada. Achava que com a distancia, tudo acabava por desaparecer…

- Harry preciso de te contar uma coisa… - Adrianna estava ansiosa por saber que noticia é que lhe trazia aquela carta mas ao mesmo tempo também não queria abrir porque tinha medo que isso a levasse para bem longe do Harry.

- Diz princesa. – Harry foi ter com ela a um canto do camarim

- Já recebi a carta da Universidade de Los Angeles mas ainda não tive coragem de a abrir. Queria abri-la ao pé de ti… - disse meia a tremer

Harry nem queria acreditar no que tinha acabado de ouvir. Desde que soube que Adrianna andava a planear inscrever-se naquela faculdade sempre a apoiara a seguir em frente. Harry sabia o quão importante era para ela a entrada naquela faculdade, era o sonho dela e não queria que ela desistisse. Mas por outro lado, travava uma luta diária sem saber se era aquele o último dia em que podia estar com Adrianna. Por muito que houvesse as novas tecnologias e que Los Angeles parecesse mesmo aqui ao lado, não era a mesma coisa. Não lhe podia tocar…

- Seja qual for a resposta que esteja nessa carta, será o melhor para ti. Tenho a certeza… - tranquilizou-a dando-lhe um beijo na testa. Adrianna abriu a carta e os seus olhos percorreram aquelas linhas rapidamente até chegar á palavra que tanto esperava – então?

- Fui aceite Harry… - disse muito baixo ainda sem acreditar no que estava a ler. Voltou a reler aquela linha e olhou para o Harry – Fui aceite! 




Espero que tenham gostado da primeira parte! Publico a segunda quando tiver 10 comentários...
O capitulo 28 sai amanha, se nada correr mal até então!

Liis

Never forget me

Esta é a primeira mini-história, chama-se Never forget me. Terá três partes.

Personagens:


Adrianna Vale – Tem dezoito anos e vive em Londres. É filha de pais portugueses que emigraram para Inglaterra mas tem nacionalidade inglesa. Os pais voltaram para Portugal quando esta tinha dezasseis anos mas devido aos estudos decidiu continuar em Inglaterra. Ficou aos cuidados da melhor amiga da mãe e o filho, Harry Styles, é o seu melhor amigo. Ela tem um enorme talento para o desenho e quer fazer disso profissão por isso inscreveu-se numa faculdade em Los Angeles e está á espera da resposta.

Harry Styles - Não é necessária apresentação!:P


Sinopse  


“Quando é que aquele sentimento tão genuíno e puro se transformou num amor impossível? Preferia infinitas vezes voltar aquele tempo de infância em que brincávamos juntos, em que nos riamos de coisas parvas que na altura faziam todo o sentido, da forma como corrias para o pé de mim sempre que me magoava e fazias caretas para não pensar na dor. Não queria voltar a esse tempo por sermos crianças mas sim porque ainda não estava nesta encruzilhada. O amor é para ser algo maravilhoso e não para ser um sofrimento. Sempre que vou ter contigo é isso que sinto, quando te abraço o meu coração fica tão apertado que doí só de ver. Queria poder dizer-te que te amo com todas as minhas forças mas se o fizer perco-te. Deixo de poder fazer aqueles pequenos gestos que fazem com que o meu dia tenha algum sentido. Prefiro que continues a chamar-me melhor amiga e que me trates como se fosse tua irmã do que arriscar e perder a minha razão de viver.”
Adrianna V. 




Espero que tenham gostado =)
Se tiver bastantes comentários positivos ainda ponho hoje a primeira parte!

    Liis

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Capitulo 27


(Carla)

Ver a Vera a ir de maca para o hospital sem poder fazer nada mexeu demasiado comigo. Tínhamos vindo para Londres para nos divertirmos e aliviarmos a cabeça por causa do fim do secundário mas termos que ir a hospitais não estava nada nos meus planos.

Louis – Foi impressão minha ou há algum motivo para não quereres ir ao hospital? – tínhamos entrado dentro de casa e estava a dirigir-me para o sofá. Fiquei sem saber o que responder – se não quiseres responder tudo bem…eu compreendo!

Carla – É algo complicado, mas também não é nenhum segredo. Posso contar…bem desde há onze anos que não entro em dois locais, em hospitais e em cemitérios….

Louis – Cemitérios e hospitais?!

Carla – Sim! Cemitérios, nunca lá entrei e a única vez que lá vou entrar vai ser já no caixão. Tenho um medo aterrador de lá entrar…mesmo quando os meus avós morreram, não consegui entrar. É como se houvesse uma barreira há porta e não me deixasse entrar, os meus pés não avançam!

Louis – E sabes porquê?

Carla – Se queres que te diga, nem sei. Simplesmente não consigo entrar, respeito muito o local. Quanto aos hospitais, desde que num espaço de uma semana perdi três avós meus nos hospitais nunca mais lá consegui entrar.

Louis – A sério? Como é que aconteceu?

Carla – Com o tempo percebi que o que levou á morte deles foram as doenças que tinham mas na altura, pensava que os hospitais faziam milagres e que conseguiam salvar toda a gente que lá entrava. Quando eles morreram fiquei bastante revoltada e com medo de hospitais. Passei a pensar que quando se ia para o hospital era para morrer…Por muito estupido que pareça, ainda o sinto. Como é obvio, não penso que só por irmos ao hospital com uma constipação vamos morrer, mas é aquele medo que não desaparece…prefiro não arriscar!

Louis – E então como é que fazias quando estavas doente?

Carla – Tinha um médico que vinha a minha casa.

Louis – Esse é que era o meu sonho…não ter o médico a vir a minha casa mas sim uma daquelas enfermeiras novas, isso é que era!

Carla – Que mente mais perversa! Vocês homens não pensam em mais nada do que em miúdas giras? Por favor…

Louis – Não se pensa só nisso embora seja uma boa parte do tempo…

Carla – Ok! Não quero saber pormenores do interior de uma cabeça masculina…é demais para a minha pequena inteligência!

Louis – Oh! Logo agora que ia desvendar os segredos que compõem uma mente brilhante…

Carla – Ahah! Mente brilhante?! Não sei onde…

Louis – Está mesmo aqui á tua frente!

Carla – Acho que não! Mas acho melhor irmos comer…fazes o comer para ti que eu faço para mim está bem? – ele olhou para mim com ar espantado. No momento em que ia responder interrompi-o – estou a brincar! Mas podes ter a certeza que és um sortudo…

Louis – Porque vou comer algo feito por ti? É seguro ou vou parar ao hospital também?

Carla – Em primeiro lugar, ser eu a fazer o jantar é algo anormal, não por correres risco de ires parar ao hospital mas sim porque não gosto de cozinhar. Mesmo assim desenrasco-me na cozinha e faço algumas coisas engraçadas…

Louis – E que coisas engraçadas vais fazer para mim?

Carla – Essa pergunta soa mesmo mal! Já viste bem o que disseste, “que coisas engraçadas vais fazer para mim”? Faz pensar outras coisas…

Louis – Eu estou a falar de comida…tu é que tens uma mente perversa!

Carla – Pois tenho! E se fazes frases desse tipo ainda mais me ajudas a ser…

Louis – Agora sou eu o culpado de seres perversa?

Carla – Não mas também não ajudes há festa! – abri o frigorifico e espreitei lá para dentro – eu até dizia o que comer mas alguém se esqueceu de ir ao supermercado! – fui até á nossa lista de compras diárias e quem estava responsável por faze-las era a Vera – Pois!

Louis – Pois o quê?

Carla – Era a vez da Vera de ir às compras e o frigorífico está vazio.

Louis – Pizzas? Ou tens medo que te afete a linha? – disse para me provocar, olhei muito seriamente para ele

Carla – Só podes estar a gozar? Essas coisas não me afetam…

Louis – Nota-se….

Carla – Tu estás a chamar-me gorda é?

Louis – Não!! Tu estás ótima da maneira que estás… - por momentos acho que corei, escondi a cara e rapidamente voltei ao meu estado normal.

Carla – Obrigada…acho! Pedes tu as pizzas? É que queria manter o meu telemóvel desimpedido para o caso de elas telefonarem…

Louis – Sim, pode ser!

***

Depois das meninas terem-me telefonado dei as novidades ao Louis.

Louis – Como é que ela está?

Carla – Está bem! O desmaio foi provocado por causa da febre alta que tinha…

Louis – Então porquê essa cara? – disse enquanto comia mais uma fatia de pizza

Carla – O pai da Vera já sabe do relacionamento com o Harry. E conhecendo-o como conheço o Harry vai ter um longo caminho para conseguir estar com a Vera.

Louis – Achas que não há hipóteses?

Carla – Há bastantes hipóteses de ficarem juntos. Com a Vera no hospital viu-se o lado humano do pai dela, acho que isso pode abonar a favor deles se ela souber falar.

Louis – Então temos que manter a esperança….

Carla – Sim! – acabei por dar a última trinca há minha fatia de pizza – estou cheia Louis! Que fazemos?

Louis – Queres ver um filme?

Carla – Por mim pode ser! Vou ver o que há… - fui até ao local aonde estavam os DVD’s e reparei que o Louis estava a olhar para as minhas pernas. Digamos que tenho um pequeno trauma com as minhas pernas, não gosto delas e não gosto que olhem para elas – Louis não olhes para as minhas pernas, são feias!

Louis – As tuas pernas? Só podes estar a gozar… - tinha uma almofada ao pé de mim e atirei-a – Au! Estou a dizer a verdade…

Carla – Não digas mentiras! As minhas pernas são feias e tortas…

Louis – Não são nada…

Carla – Opah, não quero falar disto!

Louis – Mas porquê? Não percebo essa ideia que tens…

Carla – Também não é para perceberes! Agora pára de olhar para as pernas…

Louis – Só paro de olhar até me explicares o porquê desse trauma!

Carla – Não…

Louis – Sim…

Carla – Que chato! Não estás a ver o joelho torto? – para mim era demasiado evidente as pernas tortas, não gostava de usar saias nem calções por isso mesmo – é por causa de ter jogado futebol, estraga as pernas! Agora estão horríveis….

Louis – Não vejo nada! Junta as pernas…

Carla – Fogo, não vês?

Louis – Ah! Isso? Praticamente não se nota! Já tinha olhado várias vezes e nunca tinha reparado…

Carla – Mas tu andas a olhar para as minhas pernas? Mau mau Maria! Não quero que o faças…

Louis – Por achares que são tortas?

Carla – E são!

Louis – Não se nota! São lindas… - estava a ficar cada vez mais envergonhada com aquela conversa toda

Carla – Pára! Já chega desta conversa…não gosto delas e pronto!

Louis – Mas eu gosto!

Carla – Importaste de parar com isso e vamos ver o filme? Daqui a pouco vou para a cama e obrigo-te a dormir na sala…

Louis – Pronto…vamos ver o filme…


***

(Vera)

Aos poucos e poucos fui voltando há realidade mas via tudo enevoado. Ao fundo conseguia distinguir uma coisa branca que se aproximava de mim – OMG, estou no céu! – foi a minha primeira reação. Há medida que aquele vulto branco se aproximava mais nítida ficava a imagem. Afinal não estava no céu, estava num quarto branco e com uma maquina que fazia um barulho infernal.

Vera – Onde é que estou? – perguntei

Médico – Está num quarto de hospital…

Vera – Hospital? – as memórias foram-se encaixando lentamente na minha mente até me lembrar nitidamente do último momento – O meu pai…OMG! E o Harry… - queria levantar-me da cama mas havia uns tubos que me impediam de o fazer – mas que raio é isto?

Médico – Menina acalme-se senão temos que lhe dar um sedativo. Vá… - o médico fez sinal para me deitar e eu respeitei a ordem voltando-me a deitar – quer fazer-me alguma pergunta?

Vera – Sim! O que é que tenho?

Médico – Teve apenas febre bastante elevada e para a avisar o seu corpo desligou, desmaiando. Não é nada de grave…amanhã já terá alta…

Vera – Ainda bem! Está alguém á minha espera lá fora?

Médico – Sim, pelo que a enfermeira disse tem uma comitiva grande lá fora. Por isso vê se põe boa rapidamente para ir ter com eles…

Vera – É o que farei…

Médico – Bem, vou avisar os seus familiares está bem?

Vera – Ok!

Esperei ansiosamente que alguém aparecesse no meu quarto. Queria muito que fosse o Harry mas tinha quase a certeza que seria o meu pai. Tinha medo do que ele pudesse dizer ou fazer. Finalmente alguém bateu á porta do quarto, mandei entrar, era o meu pai.

Pai – Filha… - ele sentou-se no banco ao lado da minha cama. Há muito tempo que já não via o olhar preocupado do meu pai em relação a mim. Podia estar no hospital e naquela maldita cama mas aquele olhar valia por tudo no mundo – como é que te sentes? Tens fome? Tens vontade de ir á casa-de-banho? Queres que levante um pouco a cama?

Vera – Pai! – acalmei-o pondo a minha mão por cima da dele – estou bem! Não te preocupes…

Pai – Tens a certeza? Eu posso ir buscar tudo o que quiseres…

Vera – Podes? Que tal um pastel de Belém? Era algo que comia agora… - disse na brincadeira embora não me importasse de comer um.

Pai – Filha, lamento mas ainda não tenho esse poder.

Vera – Oh pai. É obvio que sei! Estava a brincar…

Pai – Já sabes porque desmaiaste não sabes? – abanei afirmativamente – e como é que ficaste com febre tão alta? O que andaste a fazer?

Vera – Pai não sei….

Pai – Vera Lima, eu conheço-te – estava espantada com a expressão facial do meu pai. Não era ele, pelo menos o de agora, mas sim o da minha infância – e não engrunhes assim o nariz – sorri, era um tique que tinha e não conseguia deixa-lo

Vera – Andei á chuva…

Pai – Há chuva?

Vera – Sim pai! Não estamos em Portugal…aqui chove embora seja verão! Foi uma maluquice…

Pai – Pois é! Não devias tê-lo feito…chegaste aos 40 graus de febre. Podia ter sido perigoso…

Vera – Eu sei. Não volta a acontecer… - fiz uma pausa – a mãe?

Pai – Já a chamei e deve estar quase a chegar e vem com o Miguel…

Vera – Já estava a calcular…

Pai – Queres-me explicar o que se passou naquele quarto?

Vera – Pai…aquilo que aconteceu deve-se ao facto de estar apaixonada! – a expressão dele começou a mudar – sim pai! Apaixonada, e não pelo Miguel, aliás, nunca tive apaixonada por ele e o pai sabe muito bem disso.

Pai – Vera, nós já falamos sobre isso. O Miguel tem estatuto, pode proporcionar-te uma boa vida e tem todo o meu apoio, para além de ser bom para a nossa família também…

Vera – Claro pai. Os negócios vêm sempre primeiro que eu, que a minha felicidade! Já pensou que eu posso não gostar dele? Já pensou que eu posso ser infeliz para o resto da minha vida? Quer isso?

Pai – Tu sempres foste muito dramática Vera. Estás a exagerar…

Vera – Estou? Já se lembrou em perguntar-me como me sinto em vez de achar que estou a ser dramática?

Pai – Eu faço-te a vontade…como é que te sentes?

Vera – Mal, pai. Mal! Este maldito casamento que me pedes para aceitar está a dar comigo em doida…só me apetece fugir e nunca mais aparecer…

Pai – Filha…

Vera – É verdade pai. Eu sei que foi o avô que te fez juntar com a mãe mas na altura não tinhas ninguém nem a mãe…

Pai – E tu tens?

Vera – Tenho…não sei se vai durar um mês, ou um ano ou até uma vida mas é o suficiente para não querer casar com o Miguel. Não sei se o Harry é a pessoa com vou passar o resto da minha vida mas é com ele que quero estar agora…

Pai – E quem é que é esse Harry?

Vera – Então…tem dezoito anos, é inglês, é um querido, é adorável, tem tantas qualidades que nunca mais saía daqui… e pertence aos One Direction….

Pai – Pertence a quê?

Vera – A uma banda…os rapazes que viste lá em casa pertencem todos á mesma banda!

Pai – Ele é cantor?

Vera – É pai…

Pai – Oh filha! Tu achas que tem futuro ser cantor?

Vera – E o que isso interessa? O pai acha que tenho cara para estar a viver ás custas do meu namorado? Parece que não me conhece…

Pai – Mesmo assim…Vera, eu dei a palavra ao Gouveia em como havia casamento e não posso voltar a trás…

Vera – Pai! Eu disse na altura que casava se até lá não encontrasse alguém, que me apaixonasse. Isso aconteceu e não vou casar com o Miguel!

Pai – Estou a ver que estás convicta!

Vera – Por favor pai. Fale com o Harry se quiser, mas não me obrigue a casar com quem não quero. Eu não quero desrespeita-lo mas se continuar com a ideia do casamento vou fazê-lo.

Pai – Nunca te tinha visto tão decidida…

Vera – Porque é o que quero! O pai sempre me ensinou em lutar pelos nossos objectivos e sonhos, é isso que estou a fazer.

Pai – Fazemos de conta que eu aceito este teu relacionamento. Tu estás preparada para viver com a exposição mediática que essa relação vai trazer?

Vera – Tenho praticamente dezoito anos de terapia anti jornalistas. A minha vida toda foi feita a contornar essa exposição, sei muito bem como lidar com ela.

Pai – Mas não será a mesma coisa…e depois destas férias tu tens que voltar para Portugal…

Vera – Isso é o menor dos meus problemas…posso pedir transferência da faculdade para aqui. Há excelentes faculdades aqui!

Pai – Já vi que andaste a pensar em tudo…

Vera – É a minha vida! Tenho que pensar nela…então desistes da ideia de eu casar?

Pai – Não!

Vera – Pai…

Pai – Primeiro vou falar com esse Harry e só depois é que tomo uma decisão!

Vera – Obrigada pai…ele é fantástico!




Peço desculpa pela demora mas tive uma crise de palavras. As palavras não me saíam para o papel embora soubesse o que queria escrever. Escrevia uma palavra, apagava duas ou três. Estava mesmo complicado isto sair...
Bem, quanto ás mini-histórias vou publicar amanha as personagens e a sinopse. Se tiver bons comentários pode ser que publique também a primeira parte.
Espero que tenham gostado...

Liis

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Olá minhas queridas,
Acabei agora de chegar a casa e vou começar a preparar o capitulo. Vou tentar posta-lo hoje...espero conseguir!!


Liis